A Rússia espera um fim rápido aos confrontos armados entre o Afeganistão e o Paquistão, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na sexta-feira, referindo-se à recente escalada que levou a ofensivas e ataques mútuos, deixando dezenas de mortos em ambos os lados.
"Estamos monitorando a situação na fronteira, como fazemos com todas as outras fronteiras. Portanto, é prematuro tirar quaisquer conclusões", disse o porta-voz presidencial.
"Naturalmente, os confrontos armados diretos que ocorreram não são um bom presságio. Portanto, esperamos que terminem o mais rápido possível. Assim, como todos os outros, estamos acompanhando de perto essa situação", explicou.
Nova onda de tensões
Na noite quarta para quinta-feira (26), a Força Aérea do Paquistão atacou a capital afegã, Cabul, e as províncias de Kandahar e Paktia, após o Afeganistão lançar operações transfronteiriças contra instalações militares paquistanesas.
No sábado (21) o Paquistão já havia atacado o território afegão em resposta aos recentes ataques ao país, reivindicados pelo Talibã paquistanês e pelo Estado Islâmico da Província de Khorasan*.
- A fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão foi traçada pelo império britânico em 1893 e é conhecida como Linha Durand. Em 1947, após a independência de ambos os países, as autoridades afegãs se recusaram a reconhecê-la.
- As tensões entre os países vizinhos aumentaram em 2025 após incidentes na fronteira e uma série de explosões, pelas quais ambos os lados se acusaram mutuamente. Islamabad culpou o lado afegão pelos ataques na fronteira, enquanto o Talibã culpou o Paquistão pelas explosões em Cabul.
- Em outubro de 2025, os dois lados concordaram com um cessar-fogo, alcançado após negociações em Doha, mediadas pelo Catar e pela Turquia.
*Declarado como grupo terrorista e proibido na Rússia.