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Pentágono quer criar 'IA militar' para ações de sabotagem contra a China — FT

O objetivo é desenvolver um sistema capaz de detectar vulnerabilidades em infraestruturas críticas, como um "ladrão" que tenta portas até encontrar uma aberta.
Pentágono quer criar 'IA militar' para ações de sabotagem contra a China  — FTSmeredavac / Gettyimages.ru

O Pentágono está desenvolvendo ferramentas cibernéticas com inteligência artificial (IA) para identificar alvos de infraestrutura na China, em um esforço para reforçar suas capacidades diante de um possível conflito militar com Pequim, informou o Financial Times nesta sexta-feira (27).

A ideia é que a IA consiga rastrear vulnerabilidades em infraestruturas críticas de forma automatizada e em grande escala, reduzindo a necessidade de intervenção humana e aumentando drasticamente a velocidade e o volume de trabalho que hoje é feito por especialistas militares.

'Um ladrão noturno'

Um ex-funcionário do governo dos EUA citado pelo jornal comparou essa abordagem a um "ladrão noturno que testa a porta de várias casas até encontrar uma aberta" e alertou que a IA aplicada ao "hacking" pode multiplicar exponencialmente o número de portas testadas, tornando a detecção de possíveis alvos muito mais eficiente e precisa.

O Departamento de Guerra mantém conversas com grandes empresas de IA para lançar operações de reconhecimento automatizado em redes elétricas, serviços públicos e sistemas sensíveis da China, além de outros adversários, segundo fontes próximas aos planos.

Segundo essas informações, empresas como OpenAI, Anthropic, Google e xAI, a companhia de Elon Musk, já teriam recebido contratos de cerca de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,04 bilhão) para colaborar com o governo americano em projetos militares, cibernéticos e de segurança. Ainda não está definido quais empresas vão participar da nova iniciativa cibernética.

O secretário de Guerra, Pete Hegseth, defendeu publicamente o acesso do Pentágono a sistemas avançados de IA generativa para o que considera um uso "legal", mas laboratórios de IA têm mostrado cautela ao permitir que os militares tenham controle total sobre essas tecnologias.