Netflix desiste da compra da Warner e Paramount se consolida como vencedora

Derrubando o acordo anterior com a Netflix, a fusão proposta pela Paramount uniria dois grandes estúdios de Hollywood, duas plataformas de streaming (HBO Max e Paramount+) e duas agências de notícias (CNN e CBS).

A Netflix confirmou sua desistência da disputa pela aquisição da Warner Bros. Discovery na quinta-feira (26), após a Paramount Skydance elevar sua oferta para US$ 31 por ação. As ações da Warner, que negociavam em torno de US$ 12 em setembro do ano passado, estavam sendo negociadas a cerca de US$ 29 antes da proposta mais recente da Paramount, impulsionadas pela guerra de ofertas.

"Sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente", escreveu a empresa em sua nota oficial. A decisão provocou uma reação imediata no mercado, com as ações da Netflix saltando mais de 10% após o anúncio.

A Warner informou que a oferta revisada da Paramount era superior ao acordo existente com a Netflix, que oferecia US$ 27,75 por ação pelos ativos de streaming e estúdio. Um consultor da Netflix, falando sob condição de anonimato à agência britânica Reuters, afirmou que recomendou a desistência por não se justificar a disputa com um bilionário disposto a pagar um preço considerado irracional: Larry Ellison, cofundador da empresa de software Oracle e pai do CEO da Paramount, David Ellison.

A fusão proposta pela Paramount uniria dois grandes estúdios de Hollywood, duas plataformas de streaming (HBO Max e Paramount+) e duas agências de notícias (CNN e CBS). O fundo de Ellison está comprometendo US$ 45,7 bilhões (~R$ 235 bilhões) em capital próprio, com apoio de Larry Ellison, enquanto as instituições financeiras Merrill Lynch, Citi e Apollo fornecem US$ 57,5 bilhões (~R$ 295 bilhões) em financiamento de dívida.

A decisão da Netflix ocorreu no mesmo dia em que seu co-CEO, Ted Sarandos, visitou a Casa Branca para reuniões com membros da equipe do governo, embora não estivesse programado um encontro com o presidente Donald Trump, indicou o jornal CNBC.

Regulação e lei antitruste

Especialistas antecipam que a transação enfrentará rigoroso escrutínio regulatório, apesar das conexões dos Ellisons com o presidente Trump, abrindo campos de batalha em diferentes jurisdições.

Analistas da TD Cowen, citados pela Reuters, observaram que "a aprovação dos reguladores federais parece provável dado o ambiente político; contudo, presumimos que alguns reguladores estaduais - mais notavelmente, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta - possam tentar contestar o negócio". Bonta, representante do Partido Democrata, declarou que o Departamento de Justiça da Califórnia tem uma investigação aberta frente à fusão das empresas e que a Procuradoria pretende "ser rigorosa em sua revisão".

Senadores democratas, incluindo Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Richard Blumenthal, expressaram preocupação de que a aprovação do acordo possa ser prejudicada por favorecimento político. "O que os oficiais de Trump disseram ao CEO da Netflix hoje na Casa Branca?", provocou Warren, citada pelo Deadline, avaliando que a fusão é "um desastre antitruste".

Para mitigar riscos regulatórios, a Paramount aumentou a multa rescisória que pagaria caso o acordo não obtivesse aprovação, de US$ 5,8 bilhões (~R$ 29,8 bilhões) para US$ 7 bilhões (~R$ 35,9 bilhões), além de concordar em cobrir a taxa de US$ 2,8 bilhões (~R$ 14,3 bilhões) que a Warner Bros. deveria à Netflix por abandonar o acordo de fusão.

Prejuízos vigentes

A situação financeira de ambas as empresas revela desafios significativos, de acordo com informações divulgados pelo jornal americano The LA Times. A Warner Bros. Discovery reportou uma perda de US$ 252 milhões (~R$ 1,3 bilhão) no quarto trimestre de 2025, com receita em declínio de 6%, chegando a US$ 9,46 bilhões (~R$ 48,6 bilhões). A empresa ainda carrega US$ 33,5 bilhões (~R$ 172,2 bilhões) em dívida, resquício da fusão de 2022 com a Discovery.

Por sua vez, a Paramount registrou uma perda operacional de US$ 339 milhões (~R$ 1,74 bilhão) no mesmo período, incluindo meio bilhão de dólares (~R$ 2,56 bilhões) em custos de reestruturação, após a aquisição pela Skydance Media em agosto.