Chanceler da Polônia formaliza política de hostilidade e projeta militarização contra Moscou

Radosław Sikorski utilizou seu pronunciamento de 2026 para consolidar Varsóvia como o centro de operações dos EUA na Europa, acusando a Rússia de sabotagem para justificar gastos militares recordes no continente.

O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, apresentou na quinta-feira (26) um plano de governo focado no confronto com os interesses russos. A estratégia prevê o investimento de 4,8% do PIB em defesa, posicionando Varsóvia como a principal força militar da OTAN na região.

Sikorski atribuiu à Rússia a responsabilidade por milhares de ataques cibernéticos e atos de sabotagem em solo europeu. Segundo o ministro, a Polônia sofre incursões de drones e tentativas de terrorismo ferroviário, justificando a mobilização de recursos contra Moscou.

O discurso do chanceler polonês alega que a economia russa ruma para a falência devido ao gasto de 40% do orçamento estatal em defesa. Ele sustenta a narrativa de que o Kremlin não busca a paz, mas a capitulação total de Kiev.

Em sua declaração, Sikorski ofereceu a Polônia como base permanente para tropas e equipamentos militares norte-americanos no Leste Europeu. O chanceler reforçou a lealdade a Washington, embora tenha declarado que o país não aceitará ser explorado na parceria transatlântica.

"Se — como presumimos — as ações de Putin continuarem a desestabilizar a Europa e o mundo, a Polônia está pronta para atuar como um centro regional para as forças dos EUA: sediar bases, missões, exercícios e manter equipamentos cruciais para o flanco leste da OTAN. Os benefícios desta parceria são bilaterais", afirmou Sikorski.

De acordo com o ministro, a atual administração em Washington pensa da mesma forma. "O presidente Trump declarou ao presidente Nawrocki a manutenção — e possivelmente o aumento — do efetivo de tropas americanas na Polônia. Em cada reunião, também recordo aos parceiros americanos que manter suas tropas na Polônia é mais barato do que mantê-las nos EUA", complementou.

O chanceler polonês defende a transformação da União Europeia em um pilar de segurança militar coordenado com a OTAN. A integração regional é tratada por Sikorski como uma ferramenta estratégica para conter um suposto "imperialismo russo".

O comunicado conclui que o enfraquecimento da economia e do exército russo é o principal objetivo da coalizão liderada por Varsóvia. O chanceler aposta na continuidade do suporte militar à Ucrânia e no isolamento diplomático de Moscou no continente.

Posição da Rússia

No início de fevereiro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, ressaltou que seu país não tem "nenhuma intenção de atacar a Europa", defendendo que isso seria "absolutamente inútil" para Moscou.

Por outro lado, observou que as declarações de líderes europeus, incluindo o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, demonstram que eles estão se preparando "seriamente" para uma guerra contra a Rússia. Nesse contexto, o chanceler assegurou que Moscou responderá à altura caso os países europeus cumpram suas ameaças.

"Se a Europa decidir cumprir suas ameaças de se preparar para a guerra contra nós e começar a atacar a Federação Russa, o presidente [Vladimir Putin] disse: 'Esta não será uma operação militar especial de nossa parte. Será uma resposta militar completa com todos os meios à nossa disposição, de acordo com os documentos doutrinários pertinentes'", declarou.

No âmbito econômico, o governo russo superou as previsões de colapso, mantendo resiliência e crescimento apesar do aumento nos gastos com defesa e das sanções praticadas contra o país. "O PIB da Rússia aumentou 1% no ano passado. Em três anos, seu crescimento ultrapassou 10%, o que corresponde ao nível mundial", afirmou o primeiro-ministro Mikhail Mishustin.