
Novos projetos na Venezuela? Delcy Rodríguez recebe representantes da Shell

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, recebeu nesta quinta-feira (26) representantes da transnacional britânica Shell, com o objetivo de avaliar projetos no setor de gás, informou o escritório de Imprensa Presidencial.
Com mais de uma década de sanções estadunidenses que comprometeram o desempenho das indústrias de petróleo e gás, Caracas fixou como meta estratégica explorar suas importantes reservas de hidrocarbonetos para reingressar no grupo de países que produzem petróleo em quantidades elevadas, bem como ampliar sua oferta em outras mercadorias do setor por meio de alianças estratégicas com Estados e particulares.

Para isso, por um lado, a Assembleia Nacional aprovou no início de fevereiro uma reforma na Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, que incorpora esquemas de negócios com particulares que foram bem-sucedidos, para evitar as restrições impostas por Washington. Em outra nota, o Tesouro dos EUA emitiu um conjunto de licenças que possibilitam o reingresso condicionado de várias gigantes energéticas ao território venezuelano, sem renunciar ao seu esquema geral de medidas coercitivas unilaterais, que recentemente foi renovado por mais um ano.
Nova etapa, novas alianças
Em 11 de janeiro, o secretário de energia dos EUA, Christopher Wright, fez uma visita oficial a Caracas. Nesse contexto, Rodríguez disse que o objetivo das conversas foi "o estabelecimento de uma parceria produtiva de longo prazo, que permita uma agenda energética que se converta em motor da relação bilateral", seriamente danificada desde 2019 e em processo de reabilitação, após os bombardeios do Exército estadunidense sobre a Grande Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, em janeiro passado.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou que seu país adquiriria gás da Venezuela a um preço atrativo, e Rodríguez recebeu em Miraflores uma delegação do governo colombiano para tratar de temas do setor energético. Também está prevista uma reunião bilateral entre os dignitários, embora a data ainda não tenha sido divulgada.
Mesmo antes da operação militar, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou abertamente seu interesse em que companhias de seu país assumissem o controle do petróleo venezuelano, sob a alegação de que este havia sido "arrebatado" de Washington. Após o sequestro de Maduro, Trump afirmou que seu governo se manteria à frente da indústria petrolífera venezuelana por tempo indefinido.
Por sua vez, a mandatária encarregada desmentiu esta versão, ao assegurar que a Venezuela, depositária das maiores reservas de petróleo do mundo, define sua política energética sem interferências externas. Em uma entrevista posterior, ela garantiu que as vendas de petróleo realizadas aos EUA através de companhias particulares têm sido "de justiça comercial", e descartou a existência de privilégios para o país norte-americano.

