
'Agora é uma guerra aberta': Paquistão se pronuncia sobre escalada militar com o Afeganistão

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou que Islamabad está dando uma resposta decisiva ao que classificou como uma agressão do Afeganistão, ao acusar o país vizinho de reunir "terroristas de todo o mundo" e "exportar o terrorismo".
"A nossa paciência esgotou-se. Agora é uma guerra aberta entre nós", escreveu o ministro em sua conta na rede social X, comentando a nova escalada militar entre as duas nações asiáticas.
Asif observou que, após a retirada das forças da OTAN do Afeganistão, "esperava-se que houvesse paz" no país e que os talibãs "se concentrassem nos interesses do povo afegão e na paz regional".
Contudo, segundo a autoridade paquistanesa, o grupo "transformou o Afeganistão em uma colônia indiana". "Eles reuniram terroristas de todo o mundo no Afeganistão e começaram a exportar o terrorismo. Privaram seu próprio povo dos direitos humanos básicos e privaram as mulheres dos direitos que lhes são concedidos pelo Islã", afirmou o ministro.
Ele ressaltou que, agora que o Paquistão foi "alvo de agressões" por parte do Afeganistão, as forças de seu país "estão dando uma resposta decisiva".

Asif afirmou que "o Paquistão fez todo o possível, tanto diretamente quanto por meio de nações amigas, para manter a situação normal", razão pela qual "realizou um amplo trabalho diplomático". Ele insistiu no papel "sempre positivo" de seu país ao acolher "cinco milhões de afegãos ao longo de 50 anos". "Mesmo hoje, centenas de milhares de afegãos ganham a vida em nosso território", enfatizou.
Com a retomada das hostilidades, indicou que "o Exército do Paquistão não veio do outro lado do mar". "Somos seus vizinhos, conhecemos seus limites", advertiu o ministro.
A Força Aérea do Paquistão atacou na noite desta quinta-feira (26) a capital afegã, Cabul, bem como Kandahar e a província de Paktia.
Os bombardeios ocorreram após o Afeganistão lançar, também nesta quinta-feira, operações transfronteiriças contra instalações militares paquistanesas.
Retomada de conflito latente
As tensões entre os países vizinhos agravaram-se em 2025 devido a incidentes fronteiriços e a uma série de explosões, pelas quais ambas as partes se acusaram mutuamente. Islamabad acusou o lado afegão de ataques na fronteira, enquanto os talibãs responsabilizaram o Paquistão pelas explosões em Cabul.
Em outubro, as partes concordaram com um cessar-fogo. O acordo foi alcançado após negociações em Doha, com a mediação do Catar e da Turquia.
