
Cuba diz que EUA estão dispostos a 'cooperar' para esclarecer o incidente com a lancha

Cuba informou nesta quinta-feira (26) que os EUA estão dispostos a "cooperar" para esclarecer a incursão de uma lancha rápida com registro do estado da Flórida, com pessoas armadas a bordo, em águas do país caribenho. O episódio resultou em um confronto no qual quatro dos dez ocupantes da embarcação considerada hostil morreram.
"As autoridades do governo norte-americano mostraram disposição para cooperar no esclarecimento destes lamentáveis fatos", lê-se em um comunicado assinado pelo vice-ministro de Assuntos Estrangeiros da ilha, Carlos Fernández de Cossío.
O alto funcionário expressou também que "desde o primeiro momento, tendo sido detectado que o meio naval procedia do território dos EUA, as autoridades cubanas mantiveram comunicação sobre esta tentativa terrorista com suas contrapartes estadunidenses, incluindo o Departamento de Estado e o Serviço de Guarda Costeira", ao mesmo tempo em que ressaltou que "o Governo cubano tem disposição para dialogar com os norte-americanos sobre este fato".
"Entre outros requerimentos, solicitaremos informações sobre os envolvidos, o meio utilizado e outros detalhes às autoridades norte-americano mediante os mecanismos vigentes entre os dois países", detalhou Fernández de Cossío.

Em adendo, o vice-chanceler revelou os nomes dos 10 envolvidos nos fatos: Cristian Ernesto Acosta Guevara, Conrado Galindo Serrior, José Manuel Rodríguez Castelló, Leordán Cruz Gomez, Amijail Sanchez Gonzalez, Roberto Alvarez Avila e Pavel Alling Peña, Michael Ortega Casanova, Ledián Padrón Guevara e Hector Duani Cruz Correa. Destes, os últimos quatro morreram em um confronto com as Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.
Com respeito ao armamento, o Ministério de Assuntos Estrangeiros do país caribenho disse que na lancha foram encontrados "fuzis de assalto, fuzis de precisão, pistolas, coquetéis Molotov, múltiplos equipamentos de assalto que incluem equipamentos de visão noturna, coletes à prova de balas, baionetas de assalto, roupas de camuflagem e munições de diversos calibres, alimentação para uso em combate", assim como "meios de comunicação e um grupo importante de insígnias de organizações contrarrevolucionárias de cunho terrorista".
"Não é um fato isolado"
No texto, ressaltou-se que a "informação continua sendo preliminar" e insistiu-se que o ocorrido não pode ser qualificado como "um ato isolado", visto que faz parte da política de agressões diversas que a Casa Branca pratica contra Havana há mais de seis décadas.
Assim, Fernández de Cossío lembrou que "Cuba tem sido vítima de agressões e de incontáveis atos terroristas há mais de 60 anos, em sua maioria organizados, financiados e executados a partir do território dos EUA", com um aumento significativo nos últimos anos, sem que a contraparte norte-americana tenha tomado ações concretas destinadas a investigar as denúncias das autoridades cubanas.
Em linha semelhante, alegou que, por isso, "os grupos anticubanos que operam nos EUA recorrem ao terrorismo como expressão de seu ódio contra Cuba e da impunidade que acreditam desfrutar". "Cuba ratifica seu compromisso absoluto e categórico contra todos os atos, métodos e práticas terroristas em todas as suas formas e manifestações", acrescentou.
Para finalizar, o alto funcionário pontuou que seu país "mantém um desempenho exemplar no enfrentamento ao terrorismo, e cumpriu, e continuará honrando, os compromissos que assumiu nessa matéria", pois "tem o dever e a responsabilidade de proteger suas águas territoriais".

