As Forças Armadas paquistanesas realizaram nesta quinta-feira (26) ataques contra a capital afegã, Cabul, segundo informações confirmadas pelas autoridades do Paquistão.
Em declarações à televisão paquistanesa, o ministro da Informação, Attaullah Tarar, confirmou ataques aéreos contra instalações militares do Talibã em Cabul, Kandahar e Paktia.
Tarar informou que as baixas das forças afegãs foram de 72 mortos e mais de 120 feridos.
Segundo a autoridade, a Força Aérea paquistanesa destruiu dois quartéis-generais de brigada em Cabul, bem como um depósito de munições, uma base logística, um quartel-general central e um quartel-general de brigada em Kandahar.
Tarar afirmou ainda que os "ataques injustificados" do Afeganistão do outro lado da fronteira "estão recebendo uma resposta firme e eficaz".
O porta-voz do Emirado Islâmico do Afeganistão, Zabihullah Mujahid, confirmou em suas redes sociais que os ataques de Islamabad atingiram Cabul, Kandahar e Paktia. Entretanto, afirmou que "não houve relatos de vítimas".
As forças afegãs lançaram nesta quinta-feira (26) operações contra alvos paquistaneses nas províncias de Nangarjar, Nuristan, Kunar, Jost, Paktia e Paktika.
Os ataques ocorreram depois que Islamabad atacou o território do Afeganistão no último sábado (21), em resposta a recentes atentados suicidas e outras ações ocorridas em território paquistanês, cuja responsabilidade foi reivindicada pelo movimento Talibã paquistanês e pelo Estado Islâmico da Província de Jorasan*.
Retomada de conflito latente
As tensões entre os países vizinhos agravaram-se em 2025 devido a incidentes fronteiriços e a uma série de explosões, pelas quais ambas as partes se acusaram mutuamente. Islamabad acusou o lado afegão de ataques na fronteira, enquanto os talibãs responsabilizaram o Paquistão pelas explosões em Cabul.
Em outubro, as partes concordaram com um cessar-fogo. O acordo foi alcançado após negociações em Doha, com a mediação do Catar e da Turquia.
*Declarado como grupo terrorista e proibido na Rússia.