A concretização do acordo assinado entre Mercosul e a União Europeia (UE) parece cada vez mais próxima. Até o momento, os Legislativos uruguaio e argentino aprovaram o pacto comercial, ambos nesta quinta-feira (26).
Enquanto isso, os deputados do Brasil se encontram nas discussões finais. Quanto ao Paraguai, o debate não avançou no Congresso.
O acordo tem encontrado resistência de certos setores dos países europeus, que alertam sobre os riscos que a aliança poderia trazer para suas atividades produtivas.
Desde que o tratado de livre comércio entre os dois blocos foi comunicado, no último dia 17 de janeiro, coube aos parlamentos de cada país debater a adesão ao mecanismo que visa construir uma das maiores zonas comerciais do mundo.
A situação com o Parlamento Europeu é mais complexa, uma vez que o acordo ainda é analisado por seus deputados, em meio a protestos de setores agrícolas, recursos apresentados ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) e um conjunto de cláusulas para a proteção da agricultura naquele continente.
Situação na América do Sul
O Parlamento do Uruguai foi o primeiro do Mercosul a aprovar o acordo, em sessões consecutivas da Câmara de Senadores, na véspera, e da Câmara de Representantes, nesta quinta-feira. Agora, espera-se a promulgação do Executivo para que entre em vigor assim que os demais Legislativos deem luz verde.
Quanto à Argentina, a Câmara de Deputados votou a favor do instrumento no último dia 12 de fevereiro e, nesta quinta-feira (26), o Senado fez o mesmo, tornando-se a segunda nação do bloco a aprovar o acordo.
Na mesma linha, a Câmara dos Deputados do Brasil deu o sinal verde ao tratado na quarta-feira (25). A votação passa agora para o Senado.
O Paraguai ainda não realizou os debates sobre o acordo, que foi enviado ao Legislativo em 29 de janeiro pelo presidente do país, Santiago Peña.
Resistência na UE
Os setores agrícolas europeus têm sido o principal ponto de resistência para a aprovação do acordo com os países sul-americanos. Na imprensa, circularam imagens de vários protestos na França, Espanha, Irlanda, Grécia, Polônia, Bélgica e Itália.
Os agricultores alegam que, com o estabelecimento desta aliança com a América do Sul, o mercado europeu poderia ser inundado por produtos mais baratos, fabricados com padrões menos exigentes e pesticidas proibidos na UE, o que os colocaria em desvantagem frente aos produtos importados.
Os defensores do acordo o apresentam como uma possibilidade para que ambos os blocos formem a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de potenciais consumidores. Além disso, consideram que as exportações europeias para o Mercosul poderiam aumentar em bilhões de euros e gerar centenas de milhares de postos de trabalho.
Protestos e ações do Europarlamento
Protestos contra o acordo, que vêm sendo realizados desde 2023, intensificaram-se entre o final de 2025 e o início deste ano, após o Mercosul e a UE assinarem, em 17 de janeiro, no Paraguai, um Acordo de Associação e um Acordo Interino de Comércio.
Embora o tratado comercial, que enfrentou entraves por mais de duas décadas para ser aprovado, tenha sido estabelecido entre os dois blocos, ele ainda não conta com a aprovação do Parlamento Europeu. Em janeiro de 2026, o órgão votou a favor de encaminhar o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para determinar se ele cumpre os tratados da UE, segundo informações da Eurocâmara.
A presença de agricultores nas ruas com seus tratores e palavras de ordem em várias cidades europeias aumentou a pressão sobre a aliança comercial. Por isso, em 10 de fevereiro de 2026, o Europarlamento aprovou um regulamento de cláusulas de salvaguarda reforçadas que visam proteger a agricultura europeia.
Estas disposições propõem suspender vantagens tarifárias se houver ameaça aos produtores europeus e ativar proteções se as importações de produtos sensíveis (carne, açúcar, mel e cítricos) subirem 5% em relação à média de três anos.