Caso de jovem que matava homens com ajuda do ChatGPT abala a Coreia do Sul

A acusada, que utilizou a inteligência artificial para calcular doses letais de sedativos, tornou-se fenômeno de popularidade nas redes sociais apesar da gravidade dos crimes.

Uma sul-coreana de 21 anos, acusada de assassinar dois homens e deixar outro inconsciente com substâncias colocadas em bebidas após consultar o ChatGPT, tornou-se um fenômeno inesperado nas redes sociais, onde alguns seguidores a defendem e admiram, noticiou na última terça-feira (24) um veículo local.

A suspeita, identificada apenas pelo sobrenome, Kim, foi presa em 11 de fevereiro e é acusada de ter matado suas vítimas após lhes fornecer bebidas contendo benzodiazepínicos, um fármaco sedativo que havia sido receitado para tratar uma condição psiquiátrica.

O primeiro crime ocorreu em 28 de janeiro em um motel de Seul, e o segundo, pelo mesmo método, em 9 de fevereiro. Também foi informado que, em dezembro de 2025, ela já havia tentado cometer um crime semelhante contra seu então namorado, que perdeu a consciência.

Durante a investigação, a polícia encontrou em seu telefone conversas com o ChatGPT nas quais ela perguntava: "o que acontece se tomar pílulas para dormir com álcool?", "que quantidade seria perigosa?" ou "poderia ser mortal?", o que levou as autoridades a imputarem acusações de assassinato.

Embora a polícia tenha decidido não revelar sua identidade por considerar que o caso não cumpria os requisitos legais para divulgação pública, suas fotos viralizaram nas redes sociais, segundo informou a imprensa local na terça-feira (24) passando de 265 seguidores em sua conta no Instagram* para mais de 9 mil.

Em comentários em suas publicações, alguns usuários a defendem, motivados unicamente por sua aparência física, com frases como: "Ela é inocente", "reduzam a pena dela", "estou do seu lado".

O perfil psicológico de Kim

Enquanto as autoridades investigam o caso, especialistas tentam entender o que levou a jovem a cometer os crimes. O professor Oh Yun-seong, da Universidade Soonchunhyang, disse em uma entrevista que o primeiro ataque contra o namorado foi um experimento: a vítima ficou inconsciente por cerca de quatro horas, o que permitiu à jovem comprovar o efeito dos benzodiazepínicos.

"Basicamente, ela estava testando o método", explicou.

O especialista ressaltou que a mulher escolhia homens atraídos por suas mensagens, o que os tornava alvos particularmente vulneráveis. Quanto aos motivos, ele descreveu os crimes como uma manifestação extrema do desejo de manipular e controlar as relações interpessoais.

Citando relatos de conhecidos da acusada — que afirmam que ela abandonou o ensino fundamental, foi expulsa do ensino médio e tinha antecedentes de roubos —, Yun-seong sugeriu que também deve ser considerada a possibilidade de ela sofrer de um transtorno de controle de impulsos.

O professor também alertou que "a variedade de drogas encontradas durante a busca policial poderia sugerir que ela já tinha planejado seu próximo ataque".

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.