'Não fazia ideia': Hillary Clinton depõe no Congresso sobre crimes de Epstein

A ex-secretária de Estado alega que foi obrigada a depor, mesmo sem ter conhecimento do tema, com o objetivo de "desviar a atenção" das ações de Donald Trump.

Os membros do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes interrogaram nesta quinta-feira (26) a ex-secretária de Estado Hillary Clinton no âmbito da investigação sobre o caso Epstein. O ex-presidente Bill Clinton também deverá depor na sexta-feira (27) perante a comissão.

Em seu depoimento inicial perante o Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara dos Representantes, Clinton, instou as autoridades competentes a questionarem o presidente Donald Trump sobre seus vínculos com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.

A política criticou as autoridades responsáveis pela investigação do caso do financista, ressaltando que o órgão deveria exigir, entre outras medidas, que o secretário de Estado, Marco Rubio, e a procuradora-geral, Pam Bondi, testemunhem para explicar por que o governo Trump "está abandonando os sobreviventes e favorecendo os responsáveis pelo tráfico de pessoas".

"Em vez disso, vocês me obrigaram a depor, plenamente conscientes de que não tenho qualquer conhecimento que possa ajudar na investigação, com o objetivo de desviar a atenção das ações do presidente Trump e encobri-las, apesar das legítimas exigências por respostas", declarou Clinton.

"O comitê justificou minha intimação com base na suposição de que eu teria informações sobre as investigações relacionadas às atividades criminosas de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Permitam-me ser o mais clara possível: não tenho", afirmou.

Ela reiterou que não tinha conhecimento das atividades ilícitas nem se recorda de ter se encontrado "nunca" com o financista. "Não tinha ideia de suas atividades criminosas. Nunca voei em seu avião nem visitei sua ilha, suas casas ou seus escritórios. Não tenho nada a acrescentar", insistiu.

"Se este comitê leva a sério a tarefa de descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico cometidos por Epstein e seus cúmplices, não recorreria a vazamentos para a imprensa para obter respostas do atual presidente sobre seu envolvimento; perguntaria diretamente a ele, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que aparece nos arquivos de Epstein", afirmou. Ela também questionou o que estaria sendo ocultado, quem estaria sendo protegido e por que haveria tanto encobrimento.