Para destravar o empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 546 bilhões) à Ucrânia, a União Europeia (UE) estuda oferecer um acordo de bastidores à Hungria, em vez de recorrer a pressões jurídicas, revelou o Político nesta quinta-feira (26).
Bruxelas avalia ceder nas exigências sobre o fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba para que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, retire seu veto ao pacote de ajuda. Budapeste acusa Kiev de interromper deliberadamente o fluxo para desestabilizar o governo antes das eleições de abril, motivo pelo qual retaliou congelando o auxílio financeiro.
Diplomatas indicam que não há tempo para suspender o poder de veto húngaro via Artigo 7, já que a Ucrânia deve ficar sem fundos até abril. A solução política seria oferecer uma "saída honrosa" a Orbán, garantindo por escrito a retomada do suprimento de petróleo.
Enquanto o Conselho Europeu critica a falta de cooperação da Hungria, Orbán argumenta que não pode financiar um país que atenta contra seus interesses nacionais.
UE cogita utilizar ativos russos
Caso o impasse persista, a UE cogita retomar o plano de utilizar ativos russos congelados para financiar Kiev, uma alternativa considerada de alto risco. O governo russo tem reiterado que qualquer tentativa de confiscar seus recursos será tratada como "roubo".
O presidente Vladimir Putin afirmou, em dezembro de 2025, que "não importa o que eles roubem, mais cedo ou mais tarde terão de devolver".