
Como Stalin reagiu ao discurso de Churchill que deu pontapé inicial simbólico para Guerra Fria

Em 5 de março de 1946, em Fulton, no estado do Missouri, o então primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, proferiu no Westminster College um discurso que mais tarde se tornaria o ponto de partida simbólico da Guerra Fria.

"De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro caiu sobre o continente. Por trás dela estão todas as capitais dos antigos Estados da Europa Central e Oriental (...)", afirmou Churchill em um de seus discursos mais famosos, no qual exortou os países ocidentais a enfrentarem o bloco comunista.
O líder soviético Joseph Stalin percebeu essas palavras como um ultimato e não demorou a responder, comparando a mensagem de Churchill em Fulton com a teoria racial de Adolf Hitler em uma entrevista concedida ao jornal Pravda, segundo comentou à RIA Novosti o historiador e diretor da Agência Federal de Arquivos, Andrey Artizov, em relação a este acontecimento que em breve completará 80 anos.
"É preciso que os povos de língua inglesa se unam com urgência para impedir os russos de qualquer tentativa de ganância ou aventura", proclamou Churchill em um apelo que não passou despercebido pelo líder soviético.
Em resposta, Stalin teria declarado que Churcill iniciou "um processo que desencadeia a guerra com uma teoria racial".
"Hitler iniciou o processo que desencadeou a guerra com a proclamação de uma teoria racial, declarando que apenas as pessoas que falavam alemão constituíam uma nação de pleno direito. O sr. Churchill também inicia um processo que desencadeia a guerra com uma teoria racial, afirmando que apenas as nações de língua inglesa são nações de pleno direito", disse o líder soviético, segundo Artizov.
Para o historiador, Stalin enfatizou que "o discurso continha, na verdade, um chamado à guerra contra a URSS, o que naquele momento contradizia o tratado de aliança entre o bloco soviético e o Reino Unido", concluiu o historiador.

