Imprensa internacional destaca estratégia do Brasil no tarifaço: 'de maior perdedor a maior vencedor'

Para a agência Bloomberg, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos ''maiores vencedores do mundo'' com a decisão da Justiça dos EUA de invalidar as tarifas de Washington.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Brasil acabaram posicionados como "talvez os maiores vencedores do mundo, por ora" após a decisão judicial que invalidou as tarifas norte-americanas, segundo a Bloomberg.

A agência afirma, em artigo publicado nesta quinta-feira (26), que a estratégia do governo de "dar a outra face" e não aplicar retaliações diante das duras tarifas impostas por Washington, em última análise, colocou o presidente brasileiro e o país nessa posição.

"Mesmo com as tarifas substitutas impostas por Washington ainda em vigor, a alíquota média aplicada ao Brasil caiu até 21 pontos percentuais — de cerca de 31% para 10%", pontuou o veículo, acrescentando que está é "a maior redução entre os principais parceiros comerciais dos EUA".

Na sequência, a agência destacou a habilidade de Lula, que mostrou-se capaz de ''conduzir seu país pelo pior momento da tempestade comercial de Trump''.

''O líder de esquerda manteve-se firme em julho passado, (...) criticando o líder dos EUA por interferir nos assuntos internos do Brasil'', relembrou a agência, destacando que, ao mesmo tempo, o Itamaraty, sempre ''apostou no diálogo e em um desfecho favorável no sistema judicial norte-americano''.

Relembre:

O Brasil tornou-se alvo de tarifas norte-americanas pela primeira vez em abril de 2025, com o chamado "Dia da Libertação", quando Trump anunciou uma tarifa contra virtualmente todas as nações e territórios do mundo. À época, produtos brasileiros foram submetidos a uma alíquota adicional de 10%.

Já em julho, o mandatário estabeleceu um novo aumento de 40%, associando a medida ao que ele qualificou de perseguição política contra seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e às supostas violações de direitos humanos no país. Com isso, a tarifa totalizava 50%, mas excluía uma série de produtos, como laranja, petróleo e aeronaves, em razão da pressão de diversos setores comerciais norte-americanos.

Após negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Trump direcionou uma série de elogioso percentual adicional de 40% foi removido de uma série de outros itens, como café.