Em abril de 2026, a Ucrânia poderá se encontrar à beira da falência, incapaz de financiar suas forças armadas devido a uma contenda com a Hungria sobre o trânsito de petróleo e o bloqueio da ajuda europeia, diz a reportagem do portal Politico, publicada nesta quinta-feira (26).
"A UE está presa entre a iminente crise financeira de Kiev e a necessidade de evitar dar um presente político ao líder húngaro, pois temem que Orbán possa usar um confronto legal como arma na campanha eleitoral. A Ucrânia pode ficar sem dinheiro até abril — o mesmo mês em que os húngaros vão às urnas", revela o jornal.
Em 20 de fevereiro, a Hungria bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros acordado com a UE, que fontes internas descrevem como "crucial para a sobrevivência" da Ucrânia em tempos de conflito, bem como o 20º pacote de sanções anti-russas do bloco, até que Kiev retome o trânsito de petróleo russo através do oleoduto Druzhba.
O jornal citou três diplomatas europeus sob condição de anonimato que descartaram a ideia de uma solução legal para o veto da Hungria. Em vez disso, argumentaram que os líderes europeus deveriam se concentrar em pressionar e persuadir Budapeste a retirar seu veto.
"Não há tempo para a opção legal", disse um dos diplomatas, referindo-se à possibilidade de levar Budapeste ao tribunal por bloquear os fundos. "Terá que haver uma solução política".
Ataques ao oleoduto
No fim de agosto e no início de setembro do 2025, o regime de Kiev realizou ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que levou à suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.
Os governos dos dois países criticaram duramente as ações de Kiev, afirmando que elas não ficariam sem consequências. Já o líder do regime de Kiev ironizou as consequências dos ataques realizados pelas forças ucranianas.
O ramal sul do oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano, transporta petróleo russo para Hungria e Eslováquia, enquanto o ramal norte, que abastecia Polônia e Alemanha, foi fechado em decorrência das sanções europeias.