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Quem é Adilsinho? Conheça a trajetória de bicheiro preso após ser procurado por duas décadas

Adilsinho é investigado por assassinatos, sequestros e tráfico de cigarros falsificados, suspeito de atuar de maneira dominante e violenta no comércio ilegal do Rio de Janeiro.
Quem é Adilsinho? Conheça a trajetória de bicheiro preso após ser procurado por duas décadasReprodução

Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como "Adilsinho", importante bicheiro foragido por duas décadas da Justiça brasileira, foi preso em operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (26), em uma mansão localizada na cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Ele é considerado um dos principais responsáveis pelo contrabando de cigarros no estado do Rio, além de lhe ser atribuída a fundação do clube de futebol Atlético Barra da Tijuca e o patronato da escola de samba do Salgueiro, aponta dossiê do jornal g1, publicado em outubro do ano passado.

A prisão de Adilsinho ocorreu após monitoramento e levantamento de inteligência realizados no âmbito da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro (FICCO/RJ). A ação policial envolveu policiais federais e civis, contando ainda com apoio do Serviço Aeropolicial.

O detido foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro para formalidades e será encaminhado ao sistema prisional estadual.

O Policial Militar Diego Darribada Rebello de Lima fazia a segurança de Adilsinho e também foi preso.

Décadas de um império subterrâneo

Adilsinho era o principal alvo da Operação Libertatis II, deflagrada em março de 2025, e tinha pelo menos quatro mandados de prisão em aberto.

Ele é investigado por ao menos 27 crimes, incluindo assassinatos, tentativas de homicídio e sequestros, muitos deles cometidos para impor seu monopólio no mercado de cigarros falsificados. Adilsinho teria construído um império na economia ilegal do estado ao longo de duas décadas, que o levou do submundo dos cassinos ilegais à cúpula do crime organizado. Segundo a Polícia Federal, ele teria movimentado ao menos R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024.

A trajetória de Adilsinho começou com a fabricação de softwares para máquinas caça-níqueis, conhecidas como "draculinhas", que manipulavam valores acumulados e resultados para favorecer os operadores. Investigações policiais revelaram que ele operava bingos no Rio e em Minas Gerais, chegando a construir um cassino no Paraguai.

A partir de 2005, Adilsinho acumulou recursos do jogo do bicho para investir na fabricação de cigarros clandestinos. Ele utilizava matadores de aluguel para impor domínio sobre regiões e consolidar seu domínio sobre o comércio ilegal.

O esquema da máfia do cigarro é descrito como uma operação em diversas camadas hierárquicas, do patrão aos comerciantes, envolvendo corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro, pistoleiros, tráfico de pessoas e trabalho escravo. Entre 2018 e 2024, o grupo de Adilsinho teria feito parcerias com traficantes e milicianos para monopolizar a venda e distribuição de cigarros falsos no Rio de Janeiro.

Empresas distribuidoras foram criadas em 2018 para dar aparência legal às operações, praticando combinando receitas legais com dinheiro ilícito em um esquema de lavagem. Contudo, após fiscalizações em 2021, o grupo passou a atuar totalmente na informalidade, instalando diversas fábricas clandestinas de cigarro.

Desde 2022, pelo menos 70 trabalhadores foram resgatados destas instalações, desmanteladas em Duque de Caxias, Vassouras, Paty do Alferes (RJ), Cláudio (MG) e Serra (ES). Indícios apontariam para a existência de outras fábricas em Uberlândia (SP), Pernambuco e São Paulo.

Procurada pela TV Globo à época da publicação, a defesa de Adilsinho teria afirmado apenas que "reitera a inocência" de seu cliente.