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Falta de financiamento no Sudão do Sul ameaça milhões de deslocados diante de escalada militar

No final de dezembro de 2025, os confrontos entre as Forças da Defesa Popular do Sudão do Sul (SSPDF) - exército nacional - e o Movimento Popular de Libertação do Sudão - Oposição (MPLS-O) marcaram o início da última escalada.
Falta de financiamento no Sudão do Sul ameaça milhões de deslocados diante de escalada militarX / @Nuertribe

O déficit de financiamento crítico coloca em risco mais de 1,9 milhão de pessoas deslocadas no Sudão do Sul, com o número total das com necessidade da assistência humanitária atingindo 10 milhões devido a ações militares no Sudão, segundo informou ONU News, na quarta-feira (25).

O plano de apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM) prevê doação de US$ 131 milhões (cerca de R$ 674 milhões), mas não conseguiu cobrir US$ 29 milhões (cerca de R$ 150 milhões). 

"O Sudão do Sul está carregando um fardo extraordinário, e a falta de financiamento corre o risco de comprometer o progresso em direção a soluções duradouras para milhões de pessoas", disse a vice-diretora geral de Operações da OIM, Ugochi Daniels.

Falhas de garantir financiamento arriscam milhões de vidas, inclusive mais de 1,3 milhão de pessoas do Sudão que atravessaram a fronteira após o início da guerra em abril de 2023. Cerca de 67% deles são repatriados do Sudão do Sul.

Escalada no estado de Jonglei 

A escalada recente que ocorreu no estado de Jonglei agravou a situação, deslocando mais de 280 mil pessoas desde dezembro de 2025 e criando novos riscos para civis e trabalhadores humanitários, com 3 deles mortos entre 7 e 16 de fevereiro. Acesso a áreas mais afetadas permanece instável, e a expansão da cólera continua.

Nos finais de dezembro, os confrontos entre as Forças da Defesa Popular do Sudão do Sul (SSPDF) - exército nacional - e o Movimento Popular de Libertação do Sudão - Oposição (MPLS-O) marcaram o início da última escalada. 

"Então, aqui no Sudão do Sul, você tem essa 'tempestade perfeita' de mudanças climáticas, conflitos, desigualdade e pobreza. No momento, as pessoas aqui no Sudão do Sul sentem que ninguém está ouvindo", salientou o coordenador de Ajuda de Emergência Tom Fletcher.