
Começa nova rodada de conversas entre Irã e EUA em Genebra em meio a sanções e pressão militar

Começa nesta quinta-feira (26) uma nova rodada de conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã. Este terceiro encontro acontece em Genebra (Suíça), com ambas as partes reafirmando a preferência por uma solução diplomática, enquanto Washington impõe um amplo pacote de novas sanções à República Islâmica e segue reforçando sua presença militar no Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, chegou a Genebra na quarta-feira (25) e se reuniu com seu homólogo de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, que atua como facilitador das negociações. Pelo lado dos EUA, participarão o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do então presidente Donald Trump.
Conversas e tensão regional
No dia 6 de fevereiro, ocorreu em Mascate, Omã, a primeira rodada de contatos indiretos entre EUA e Irã sobre a questão nuclear. Após o encontro, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que a nação persa parecia "muito interessada em chegar a um acordo". Já Teerã descreveu o ambiente como "positivo" e confirmou a disposição de manter o canal de diálogo aberto.
Asegunda rodada aconteceu em 17 de fevereiro, em Genebra, com a mediação de Omã, em meio às ameaças de Trump de uma possível ação militar contra o país persa. Depois desse encontro, Araghchi declarou que houve "um bom avanço" e que o rumo parecia "positivo".
A parte iraniana defende seu direito ao desenvolvimento de energia nuclear pacífica, o que exige a manutenção do programa de enriquecimento de urânio, cuja suspensão é exigida por Washington. Mesmo assim, Teerã demonstrou disposição para negociar, por exemplo, diluindo suas reservas de urânio enriquecido a 60 % em troca do levantamento das sanções.
Por sua vez, a Administração Trump exige o fim completo do enriquecimento de urânio no Irã e a retirada de todo o urânio enriquecido do país. Para Washington, a posse de tecnologias de enriquecimento pela República Islâmica representa um caminho direto para a criação de armas nucleares. Além disso, os EUA insistem na limitação do arsenal de mísseis de longo alcance do Irã e em uma mudança na política iraniana de apoio a seus aliados na região.
Irã x EUA: entenda o contexto atual
- Na terça-feira (24), Trump afirmou em seu discurso anual sobre o Estado da União que o Irã está construindo mísseis que poderiam atingir seu país e que supostamente se recusa a prometer nas negociações a renúncia às armas nucleares.
- "São pessoas terríveis. Já desenvolveram mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando para construir mísseis que em breve poderiam atingir os Estados Unidos", alegou.
- "Neste momento, eles estão perseguindo novamente essas ambições sinistras. Estamos em negociações e eles querem chegar a um acordo, mas não ouvimos aquelas palavras 'secretas': 'Nunca teremos uma arma nuclear'", disse Trump.
- O Irã se recusa a aceitar as exigências dos EUA em relação ao seu programa nuclear, enquanto Washington concentra navios de guerra e aviões na região, ameaçando Teerã com uma intervenção militar. A nação persa explica sua rejeição às demandas americanas — entre elas a interrupção do enriquecimento de urânio — citando seu direito ao desenvolvimento de tecnologia nuclear pacífica. O país esclareceu em mais de uma ocasião que não tem intenção de desenvolver armas nucleares.
- Anteriormente, a imprensa informou que os Estados Unidos e o Irã estão dispostos a manter novas conversas nucleares na cidade suíça de Genebra nesta quinta-feira (26).

