
Câmara aprova acordo Mercosul-UE; governo Lula promete proteção ao agro antes de votação no Senado

O texto do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União foi aprovado nesta quarta-feira (24) pela Câmara dos Deputados. Agora, o texto será analisado pelo Senado Federal.
A medida autoriza o Brasil a ratificar a parte comercial do entendimento firmado entre os dois blocos, que prevê a redução gradual de tarifas de importação para diversos setores, com cronograma de até 18 anos para a eliminação de tarifas em determinados produtos, conforme apuração da Agência Câmara.
A iniciativa ocorre em meio a entraves na União Europeia, onde o acordo completo ainda depende de tramitação política e análise jurídica.
Proteção ao agro e à indústria
Mais cedo, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, segundo o portal g1, que um decreto com regras de proteção à indústria e ao agronegócio em acordos internacionais deve ser editado antes de o Senado analisar o texto relativo ao acordo entre Mercosul e União Europeia.
"Estamos otimistas. Esse é um acordo histórico, aguardado há mais de 25 anos. E o maior acordo entre blocos do mundo. São 720 milhões de pessoas, 22 trilhões de dólares. E sempre há uma preocupação de alguns setores. Então, nós estamos encaminhando a proposta para passar ainda por outros ministérios do decreto de salvaguardas. Tem um capítulo nos acordos sobre salvaguarda, mas ela precisa ser regulamentada", afirmou Alckmin, citado pelo veículo.
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— RT Brasil (@rtnoticias_br) February 11, 2026
Não agradou ninguém?
Segundo o economista Paulo Nogueira Batista Jr., boa parte dos produtos de maior interesse para o Brasil seguirá submetida a cotas restritivas no acordo entre Mercosul e União Europeia, como carne bovina, frango e etanol. Em artigo ao portal Brasil de Fato, ele observa ainda que itens básicos da pauta exportadora brasileira — como soja, café verde e minério de ferro — já contavam com tarifa zero antes mesmo da conclusão das negociações.

O analista observa que as cotas estabelecidas representam cerca de 1% do consumo europeu, o que, em sua avaliação, evidencia o alcance limitado das concessões oferecidas ao bloco sul-americano.
Ainda de acordo com Batista Jr., o Parlamento Europeu aprovou diretriz para que a Comissão Europeia inclua uma cláusula de salvaguarda que permita a abertura de investigação acelerada caso as importações aumentem 5%. O mecanismo, de apenas três meses, pode resultar na suspensão das condições preferenciais de acesso ao mercado europeu ou na exigência de que os países do Mercosul adotem padrões europeus de produção.
