
Hungria mobiliza tropas contra potenciais 'ataques ucranianos'

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ordenou nesta quarta-feira (25) que unidades militares e reforços policiais protejam instalações de infraestrutura energética no leste da Hungria, citando a ameaça de potenciais ataques ucranianos.
Orbán comunicou no seu perfil do X a mobilização, que ocorre em meio ao impasse contínuo entre Budapeste e Kiev sobre o oleoduto Druzhba. A instalação, da era soviética, até recentemente transportava petróleo bruto russo para a Hungria e a Eslováquia através da Ucrânia.
O oleoduto saiu de operação no final de janeiro, com Kiev alegando que ele foi danificado por ataques russos, o que Moscou negou. Tanto a Hungria quanto a Eslováquia acusaram a Ucrânia de reter suprimentos deliberadamente por razões políticas, ameaçando retaliação.
🇭🇺❗️🇺🇦 Hungria mobiliza tropas contra potenciais 'ataques ucranianos'O premiê Viktor Orbán ordenou que unidades militares protejam pontos de infraestrutura crítica, em meio ao impasse contínuo sobre o oleoduto Druzhba.Entenda 👉 https://t.co/QPpV0nd3PPpic.twitter.com/hzU25SdlYH
— RT Brasil (@rtnoticias_br) February 25, 2026
Ao anunciar a medida, Orbán citou informações de inteligência obtidas pelos serviços de segurança do país sobre os potenciais ataques, e enfatizou que a Hungria "não pode ser chantageada" por Kiev.
"Ordenei a proteção reforçada de infraestruturas críticas, o destacamento de tropas onde for necessário, o aumento da presença policial e a proibição de drones no condado de Szabolcs-Szatmár-Bereg", escreveu o primeiro-ministro no X, referindo-se à região húngara que faz fronteira com a Ucrânia.
O diretor político do primeiro-ministro, Balázs Orbán, afirmou que as informações disponíveis para as autoridades do país indicam que Kiev se prepara para "novas ações destinadas a interromper o funcionamento do sistema energético da Hungria".

A mobilização ocorre após Budapeste vetar o mais recente pacote de sanções da UE contra a Rússia, bem como um empréstimo de emergência de 90 bilhões de euros (R$ 544 bilhões) para a Ucrânia. O empréstimo foi acordado no final de 2025, depois que Hungria, Eslováquia e República Tcheca optaram por não contribuir financeiramente com ele.
O veto foi condenado por líderes de Bruxelas, que acusou Orbán de abandonar sua promessa de apoiar o esquema de empréstimo e de minar a "credibilidade das decisões tomadas coletivamente".
"Qualquer quebra deste compromisso constitui uma violação do princípio da cooperação leal", disse o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, a Orbán em uma carta.
O primeiro-ministro húngaro rebateu Costa nesta quarta-feira (25), afirmando que não apoiará nenhum movimento pró-Ucrânia até que Kiev retorne "à normalidade".
"Tomamos uma decisão financeiramente favorável à Ucrânia, da qual eu pessoalmente discordo, então a Ucrânia cria uma situação de emergência energética na Hungria, e você me pede para fingir que nada aconteceu", disse Orbán ao chefe do Conselho da UE em uma carta.
