Banco Mundial prevê escassez de empregos e alerta para riscos econômicos e sociais

A falta de empregos para jovens pode gerar instabilidade, migração irregular e pressão sobre instituições.

O Banco Mundial alertou sobre o desafio de empregar 1,2 bilhão de jovens nos próximos 10 a 15 anos, especialmente nos países de desenvolvimento. Quando essa geração entrar no mercado de trabalho, centenas de milhões de jovens enfrentarão falta de vagas, segundo informou a ONU News, na terça-feira (24), citando o presidente do banco, Ajay Banga. 

Banga classificou a situação como um dos desafios estruturais da próxima década — segundo os cálculos do Banco Mundial, os problemas começarão a partir de 2036. Segundo as previsões, somente 400 milhões de vagas de trabalho serão criadas até esse ano, o que levará a consequências para economia e segurança global, e agravará pressão sobre instituições, migração irregular e instabilidade. 

Como possível solução ao problema, o banco cita três pilares. O primeiro consiste na criação da infraestrutura física e humana, ou seja, garantia de energia estável, transporte, saúde e educação como uma base para investimento privado e criação de empregos

O banco destaca como segundo pilar o empenho em criar ambiente favorável para negócios, inclusive clareza de regras e regulamentação previsível, salientando o papel das empresas menores na criação de postos de trabalho. 

O terceiro pilar consiste em apoio à expansão de empresas, com o banco fornecendo capital próprio, financiamento e seguros contra os riscos políticos. O Brasil é citado como exemplo pela instituição, que desbloqueou cerca de US$ 700 milhões (aproximadamente R$ 3,6 bilhões) em financiamento para pequenas empresas locais, com o foco no setor agrícola.

Setores-chave na geração de empregos

O Banco Mundial afirma que os cinco setores-chave na geração de empregos serão infraestrutura e energia, agronegócio, cuidado de saúde primários, turismo e indústria transformadora de valor agregado

A instituição destaca que, até 2050, 85% da população mundial estará concentrada nos países em desenvolvimento. 

O banco detalha que países desenvolvidos e em desenvolvimento serão beneficiados em um cenário mundial de baixo desemprego. Os desenvolvidos receberão os parceiros econômicos mais fortes, enquanto os em desenvolvimento aumentarão nível de rendimento, estabilidade e fortalecimento do mercado interno.