
'Nos pararam apenas pela cor da pele': mexicano deportado dos EUA fica preso

Um mexicano, deportado recentemente dos Estados Unidos, ficou retido em uma rodoviária mexicana ao retornar ao país por causa de bloqueios provocados pela onda de violência após a operação em que morreu Nemesio Oseguera Cervantes, "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, noticiado pela mídia local na terça-feira (24).

Francisco García Salvaterra, de 40 anos, vivia há mais de 20 anos no estado de Washington. Em janeiro, foi detido por "um policial comum" quando seguia para o trabalho como passageiro na caminhonete de um colega, na cidade de Othello.
Ele conta que tinha permissão de trabalho válida, não recebeu multa nem foi acusado de crime, mas, após a abordagem, o agente acionou o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE).
Francisco foi levado a centros de detenção em Seattle, Arizona e Louisiana, onde afirma não ter visto "nenhum advogado nem juiz".
"Nós fomos parados apenas pela cor da pele ou pelas placas", afirma.
Em 18 de fevereiro, ele aceitou formalmente a deportação e, no dia seguinte, foi levado de avião a El Paso e depois de ônibus a Matamoros. Ali permaneceu um dia, recebeu comida, apoio financeiro e passagem para a Cidade do México, uma viagem de 29 horas. Ao cruzar a fronteira, autoridades mexicanas lhe entregaram um documento de repatriação e o cartão "Bienestar Paisano", com 2 mil pesos (cerca de R$ 600) do programa "México te abraza".
A viagem foi interrompida por bloqueios nas estradas. Ele está há mais de 30 horas na Rodoviária Norte, na capital, à espera de um ônibus para Guadalajara, de onde pretende seguir até Colima, sua cidade. Desde domingo (22), dorme em uma cadeira metálica, coberto com um cobertor comprado no terminal.
"Cheguei à bilheteria e me disseram que um ônibus sairia às 11h, mas no final não deixaram ele sair", diz. Ao lado dele, outros passageiros aguardam informações ou pedem reembolso. Francisco decidiu esperar.
"Já estou acostumado com o mau tratamento. É só esperar para partir".
Em Washington, ficaram os filhos, Francisco e Génesis, de 19 e 14 anos, além do carro e da vida construída ao longo de duas décadas.
"Quase tudo foi para dar uma vida melhor aos meus filhos", afirma.

