Sob o comando de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", o Cartel Jalisco Nueva Generación montou uma ampla rede de lavagem de bilhões de dólares que incluiu a criação de pelo menos 58 empresas de variados ramos, como construção civil, agropecuária, bedidas e joias, entre outras, revelou o portal Animal Político, na terça-feira (24).
A investigação revelou o império econômico forjado pelo chefão do narcotráfico, morto no domingo (22) após uma operação das Forças Armadas, seguida por uma onda de violência no país.
No complexo esquema, Óscar Antonio Álvarez González — preso em setembro do ano passado no aeroporto internacional da Cidade do México — é o "cérebro financeiro" do cartel.
Três meses depois, o governo solicitou a "extensão do domínio" dos bens do empresário para que passassem para as mãos do Estado por serem provenientes de negócios ilícitos.
Fortuna ilícita
O valor reclamado foi de 1,595 trilhões de pesos (cerca de R$ 480 bilhões), pois considerou-se que esse era o valor de três empresas, que representam apenas 6,1% do total das empresas ligadas a Álvarez.
Ou seja, o Estado poderia recuperar uma fortuna considerável e ainda incalculável que permanece nas mãos do crime organizado.
Os negócios ultrapassaram fronteiras. Por exemplo, Álvarez González, que permanece detido no México, aparece como administrador de uma empresa do ramo de fretes rodoviários de mercadorias sediada em Barcelona.
No México, havia registadas em seu nome 31 marcas de tequila e mezcal, além de sete joalharias de alta gama, com importação e exportação de metais preciosos.
A rede de lavagem foi possível graças à participação de pelo menos 61 possíveis laranjas e à criação de 13 escritórios privados de serviços contábeis e administrativos que administravam as finanças do CJNG, que, desde domingo, ficou sem sua principal liderança.