Uma missão arqueológica conjunta entre o Egito e a China localizou uma estrutura de calcário em Mit Rahina, Giza. Segundo a agência Xinhua noticiou na última quinta-feira (19), o achado está associado ao templo do faraó Apries, pertencente à 26ª Dinastia egípcia (664-525 a.C.).
As escavações revelaram cinco estátuas de esfinges sem cabeça e blocos de calcário com inscrições em hieróglifos. De acordo com a mídia local, os textos fazem referência ao deus Ptah, a divindade principal da antiga cidade de Mênfis.
Cartuchos com o nome de Apries reforçam a atribuição cronológica da estrutura, enquanto fragmentos de cerâmica, vidros e moedas indicam que o local foi ocupado até o período greco-romano. A descoberta amplia o conhecimento sobre o planejamento urbano e as práticas religiosas de Mênfis.
Análises de sedimentos no entorno da muralha leste do templo revelaram depósitos de inundação do Nilo. Os dados auxiliam na compreensão das dinâmicas fluviais e das adaptações construtivas da capital ao longo dos séculos.
"As descobertas ajudam a resolver velhas questões sobre a estrutura central e os espaços sagrados da estrutura", contou ao Global Times o chefe da equipe chinesa e arqueólogo da Universidade de Pequim, Zhang Hai.
Hai explicou também como eles chegaram ao templo, com base na hipótese de que uma capital não seria feita apenas de fortificações e residências oficiais.
"Uma grande cidade como Mênfis deveria ter instituições religiosas importantes por perto, especialmente porque ficava perto do antigo braço do Nilo", disse.
A equipe utilizou tecnologias de escaneamento 3D e radares de penetração no solo para mapear o complexo. A Xinhua registrou que a cooperação científica entre os países foca na preservação digital do patrimônio histórico egípcio.
Novas escavações serão realizadas após a redução do nível do lençol freático na região. O projeto busca integrar métodos tradicionais e modernos na investigação de locais de ocupação prolongada.
Maior museu do mundo dedicado a uma civilização
Em novembro de 2025, o Egito inaugurou o Grande Museu Egípcio, considerado o maior do mundo dedicado a uma só civilização. Sua construção levou 20 anos e custou mais de US$ 1 bilhão.
O museu possui uma área de quase 500 mil metros quadrados, que abriga mais de 57 mil objetos distribuídos em diferentes galerias, entre as quais está a exposição da coleção completa do faraó Tutancâmon, com mais de 5 mil peças expostas juntas pela primeira vez.