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AFA paralisa futebol argentino em meio a cerco fiscal e queda de braço com Milei

Entidade suspende rodada após denúncia de órgão arrecadador. Medida é vista como novo capítulo na resistência contra o projeto de privatização de clubes proposta pelo presidente argentino.
AFA paralisa futebol argentino em meio a cerco fiscal e queda de braço com MileiGettyimages.ru / Federico Peretti/NurPhoto

A Associação do Futebol Argentino (AFA) confirmou na segunda-feira (23) a suspensão da 9ª rodada da Liga Profissional e de todas as outras categorias do país. A medida é um protesto contra a denúncia apresentada pela Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA), que resultou na convocação de dirigentes da entidade para prestar depoimento. A decisão foi tomada por unanimidade pelos clubes durante uma reunião do Comitê Executivo.

Em comunicado oficial, a AFA sustentou que "não possui qualquer dívida exigível" vinculada às obrigações fiscais mencionadas no processo e assegurou que os pagamentos foram realizados voluntariamente antes do vencimento. A entidade também afirmou que a questão já foi levada à Justiça e aguarda resolução na Câmara de Apelações.

Argumentos da AFA

Segundo o texto divulgado pela ARCA, o órgão arrecadador pretende considerar obrigações que "ainda não venceram" como base para um suposto crime tributário. De acordo com a AFA, isso constitui uma interpretação em "aberta contradição às normas jurídicas vigentes".

Diante desse cenário, os dirigentes decidiram paralisar as atividades programadas para março, entre quinta-feira (5) e domingo (8), "em repúdio à denúncia realizada pela ARCA contra a Associação do Futebol Argentino". A decisão impactará todas as competições organizadas pela entidade no período.

Contexto político

A suspensão coincide com as datas em que o presidente da AFA, Claudio Tapia, e o tesoureiro Pablo Toviggino deverão depor à Justiça no âmbito da investigação por supostas irregularidades em retenções de impostos e contribuições previdenciárias, informou o jornal La Nación.

O conflito amplia a tensão institucional entre o governo e a AFA, que se opõe ao interesse do presidente Javier Milei de autorizar a privatização dos clubes (transformando-os em Sociedades Anônimas do Futebol).