O atual potencial militar dos Estados Unidos só poderia sustentar quatro ou cinco dias de ataques aéreos intensivos contra o Irã, informou o jornal Financial Times (FT) nesta terça-feira (24), citando informações da inteligência israelense.
"A inteligência israelense concluiu que, mesmo com a chegada iminente do USS Gerald R. Ford no final desta semana, os Estados Unidos só têm capacidade militar para sustentar entre quatro e cinco dias de intenso ataque aéreo, ou uma semana de ataques de menor intensidade", afirmou um funcionário da inteligência israelense ao veículo.
O jornal destaca ainda que baixas americanas poderiam gerar desgaste político interno para Donald Trump.
Apesar disso, o portal informa que o presidente se sentiu encorajado pela reação moderada do Irã após medidas anteriores, como a saída dos EUA do acordo nuclear em 2018, o assassinato de Qassem Soleimani em 2020 e o bombardeio a instalações nucleares iranianas no ano passado.
Karim Sadjadpour, da Carnegie Endowment, afirma que, em cada uma dessas ocasiões, Trump assumiu riscos contra o Irã e depois sentiu que estava certo.
Teerã se mantém firme
As ameaças de Trump sobre uma possível ação militar contra o Irã acontecem simultaneamente ao reforço bélico no Oriente Médio.
Na quarta-feira passada (18), foram divulgadas informações de que o mandatário ordenou o envio à região do USS Gerald R. Ford, o maior e mais avançado porta-aviões nuclear do mundo, junto com seu grupo de combate. O grupo se unirá ao USS Abraham Lincoln.
Diante da pressão acelerada de Washington e suas exigências em torno do programa nuclear e de mísseis do país persa, Teerã continua defendendo seus interesses legítimos.
Autoridades iranianas sublinharam repetidas vezes que estão preparados para responder com golpes "pesados" a qualquer "erro estratégico" dos EUA, e advertem que serão ainda mais fortes do que durante a "Guerra dos 12 dias".
Paralelamente, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, garantiu que a energia nuclear e o enriquecimento de urânio são um "direito inegável" para Teerã, garantido pelas diretrizes da Agência Internacional de Energia Atômica.
Enquanto isso, o enviado especial Steve Witkoff comentou, citado pelo canal Fox News, que Trump se perguntava por que os iranianos não capitularam apesar da pressão naval e destacou a dificuldade de obrigá-los a renunciar à aquisição de armas.