
EUA mobilizam mais de 150 aeronaves próximas ao território do Irã

As Forças Armadas dos EUA deslocaram mais de 150 aeronaves para bases na Europa e no Oriente Médio após o término da segunda rodada de negociações nucleares com o Irã em 17 de fevereiro, de acordo com dados de rastreamento de voos e observações de satélite revisados pelo The Washington Post nesta terça-feira (24).

É a maior presença militar americana na região em mais de 20 anos, remontando ao período anterior à guerra do Iraque, em 2003. Especialistas afirmam que o nível de forças mobilizadas supera níveis que anteciparam os ataques na Guerra dos 12 Dias, em junho do ano passado, indicando o preparo para uma campanha aérea de múltiplos dias, sem invasão terrestre.
O desdobramento ocorre após a ameaça de Trump de atacar o Irã caso não seja alcançado um acordo para limitar seu programa nuclear, embora não tenha especificado os objetivos concretos da ação.
A movimentação inclui dezenas de aviões a bordo do porta-aviões USS Gerald R. Ford, avistado perto da ilha de Creta, na Grécia, que se junta ao USS Abraham Lincoln, já posicionado na região costeira do Omã. Mais da metade das aeronaves recém-deslocadas pousou em bases na Europa, uma escolha avaliada como estratégica, para mantê-las fora do alcance da maioria dos mísseis iranianos. Imagens de satélite da Base Aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia, mostraram mais de 60 aviões de guerra, incluindo uma dezena de caças furtivos F-35, frequentemente usados para neutralizar defesas aéreas adversárias.
Escalada diplomática
Enquanto isso, diplomatas dos dois países preparam uma nova rodada de conversas, mas há poucos indícios de desescalada no impasse militar.
Autoridades iranianas sinalizaram abertura para negociações, mas alertaram que qualquer ataque dos EUA será considerado um ato de agressão e enfrentará consequências, afirmando que suas forças armadas estão vigilantes e prontas. Do lado americano, opções de intervenção militar são abertamente consideradas como uma alternativa, se a diplomacia falhar.
Especialistas como Dana Stroul, do Washington Institute, citada pela agência chinesa Global Times, observam que o nível massivo de força acumulada significa que os militares dos EUA podem executar qualquer decisão de Trump, desde uma campanha aérea sustentada e de alta intensidade até ataques mais limitados e direcionados. Há preocupação de que um conflito possa ter consequências mais graves para toda a região do que os bombardeios de junho de 2025.
Outros especialistas, no entanto, questionam se os Estados Unidos estão verdadeiramente preparados para iniciar um conflito de grande escala, citando a falta de preparo político, fundamentos legais insuficientes e a relutância de vários aliados regionais. Apesar disso, após um acúmulo militar dessa magnitude, há um reconhecimento de que as opções de Trump se resumem a lançar um ataque ou extrair um acordo que possa ser apresentado como uma conquista.

