Moscou explica o que está por trás de plano ocidental para fornecimento de armas nucleares a Kiev

A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, lembrou que a Rússia tem destacado repetidamente que qualquer tentativa de rever o estatuto de não-nuclear da Ucrânia é "inaceitável".

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, comentou nesta terça-feira (26) as informações da inteligência russa sobre os planos do Reino Unido e da França de fornecer à Ucrânia uma arma nuclear ou uma bomba suja, classificando-os como "categoricamente inaceitáveis" e "de forte caráter escalatório".

A porta-voz declarou que deve ficar claro para todos os envolvidos em tais ações "imprudentes" e para a comunidade internacional como um todo que a mera sugestão de fornecer armas nucleares a Kiev constitui "um passo categoricamente inaceitável e altamente grave" que mina o regime jurídico internacional de não proliferação.

Zakharova lembrou que a Ucrânia, ao aderir ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) como um Estado não detentor de armas nucleares, comprometeu-se a não adquiri-las, enquanto o Reino Unido e a França, como Estados detentores, comprometeram-se a não transferi-las nem induzir qualquer Estado que não possua tais armas a produzi-las ou adquiri-las.

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"As informações sobre esses planos caem em 'terreno preparado'. As evidências das aspirações nucleares de Kiev são abundantes", lembrou Zakharova, recordando o discurso do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, em fevereiro de 2022, quando declarou a disposição da Ucrânia em rever seu status de não nuclear, bem como seus comentários subsequentes, "não menos provocativos", sobre o assunto.

Posição da Rússia

"A posição da Rússia sobre isso é inabalável e categórica ao extremo. Afirmamos repetidamente que qualquer 'movimento' referente à revisão do status não nuclear da Ucrânia, bem como à aquisição de armas nucleares pelo regime de Kiev, que é profundamente hostil à Rússia, é inaceitável", declarou Zakharova.

A diplomata enfatizou que "qualquer passo" para ajudar Kiev a adquirir capacidades nucleares militares será percebido por Moscou como "uma tentativa de criar uma ameaça direta à segurança crítica" da Rússia e "inevitavelmente receberá uma resposta dura".

Zakharova acrescentou que as autoridades britânicas e francesas "estão tramando seus planos perigosos" às vésperas da Conferência de Revisão do TNP, agendada para abril, alertando que as consequências de tais ações ameaçam não apenas a segurança da Rússia, mas do restante do planeta.

"No contexto das declarações e ações anti-Rússia por parte dos líderes de vários países europeus, que continuam a alimentar o confronto provocado pelo Ocidente em relação à crise ucraniana, reiteramos nosso alerta sobre os riscos de um confronto militar direto entre potências nucleares e, consequentemente, sobre suas consequências potencialmente muito graves", enfatizou.