
Empresa chinesa reage à tomada de portos do Canal do Panamá após quase três décadas de operação

O conglomerado multinacional CK Hutchison, baseado em Hong Kong, denunciou em um comunicado divulgado nesta terça‑feira (24) que representantes do Governo do Panamá chegaram "sem convite" aos portos de Balboa e Cristóbal no dia anterior, a fim de despejar funcionários de sua empresa subsidiária Panama Ports Company (PPC).

O comunicado indica que os oficiais públicos, em sua chegada repentina, declararam que a concessão de operações portuárias "não existia mais" e ameaçaram representantes da empresa e trabalhadores com um processo penal caso desobedecessem ordens de abandonar os dois portos estratégicos do Canal do Panamá, em meio a uma batalha judicial que envolve Pequim e Washington.
"Instruíram que os empregados da PPC seriam transferidos para fora da empresa, não deveriam se comunicar com a PPC e deveriam cumprir as instruções do Governo, sob ameaça de processo penal", detalhou o comunicado.
A CK Hutchison qualificou como "ilegais" as ações do Panamá de cancelar os contratos portuários e de assumir o controle das terminais. Nesse sentido, afirmou que estuda medidas legais, tanto nacionais quanto internacionais, contra o país, seus agentes e terceiros que tenham colaborado com eles.
Nesse contexto, advertiu que tais ações "representam graves riscos para as operações, a saúde e a segurança nas terminais de Balboa e Cristóbal", indicando que o Estado do Panamá seria responsável pelos danos e prejuízos causados pelas ações de confisco.
Batalha judicial
A Suprema Corte do Panamá anulou a concessão à CK Hutchison para operar os portos no fim de janeiro, em meio à crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China pelas rotas comerciais globais. A decisão foi elogiada por Washington, enquanto Pequim afirmou que protegeria os direitos e interesses das empresas chinesas.
O Panamá publicou oficialmente na segunda-feira (23) a decisão da Suprema Corte que cancelou os contratos nos portos‑chave de Balboa e Cristóbal, no Canal do Panamá, onde a PPC havia operado por quase três décadas.
O presidente José Raúl Mulino ordenou, no mesmo dia, a "ocupação temporária" de ambas as terminais pela Autoridade Marítima do Panamá "por motivo de urgente interesse social", após ficar anulação da prorrogação aprovada em 2021 para administração pela PPC dos portos localizados nas duas entradas da via interoceânica.

