O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta terça-feira (24) que o principal objetivo da operação militar especial da Rússia é proteger a vida das pessoas que que corriam risco de vida na Ucrânia.
"O principal objetivo é garantir a segurança das pessoas que viviam e vivem no leste da Ucrânia, que, de fato, corriam perigo de vida. Esse é o principal objetivo", declarou Peskov a jornalistas.
O porta-voz enfatizou que a Rússia permanece aberta a alcançar seus objetivos no conflito ucraniano por meios políticos e diplomáticos.
"O trabalho nessa direção também continua. Em qualquer caso, os interesses da Rússia serão garantidos", afirmou. Peskov também reiterou que ainda vê espaço para encerrar o conflito por meios diplomáticos.
"Como sabem, foram feitos esforços desde o início para resolver isso pacificamente. Um acordo foi elaborado", observou Peskov, referindo-se às negociações entre a Rússia e a Ucrânia em 2022, na Turquia. "E então, após a intervenção do Reino Unido neste processo de paz, a questão voltou à ação militar", acrescentou.
O porta-voz enfatizou que a Rússia continua "lutando pela paz" e que agora "tudo depende das ações do regime de Kiev".
Causas profundas do conflito
O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado reiteradamente que é necessário garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, essa questão é um das causas estruturais do conflito, como a expansão da OTAN, vista como uma ameaça, e à situação da população russófona na Ucrânia, cuja proteção o Kremlin diz considerar prioritária.
«A OTAN É UMA 'ALIANÇA DEFENSIVA'? DESCUBRA EM NOSSO ARTIGO»
A proposta russa prevê a retirada completa das tropas ucranianas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson, que se uniram à Rússia após referendos populares em 2022, além do reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sevastopol, como parte integrante da Federação da Rússia.
O plano inclui ainda a neutralidade da Ucrânia, o não alinhamento e a desnuclearização, desmilitarização e desnazificação do país.
Para Moscou, além de uma solução política, é necessário firmar acordos formalizados em documentos com reconhecimento internacional.
Nesse ponto, a Rússia questiona a legitimidade das autoridades do regime de Kiev. O mandato de Vladimir Zelensky expirou em maio de 2024, e, de acordo com essa avaliação, os integrantes do Executivo nomeados por ele também carecem de legitimidade.