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União Europeia trava acordo comercial com os Estados Unidos e cobra explicações sobre manobra de Trump

Legisladores europeus suspenderam a votação do acordo com Washington até que haja clareza sobre as novas medidas tarifárias anunciadas por Donald Trump, após a Justiça norte-americana limitar sua política de taxação de produtos internacionais.
União Europeia trava acordo comercial com os Estados Unidos e cobra explicações sobre manobra de TrumpMartin Meissner / AP

A União Europeia (UE) decidiu pausar a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar novos tarifas globais de 15%, uma medida que gerou dúvidas sobre o cumprimento do pacto bilateral alcançado em 2025, segundo informações publicadas pela Associated Press na segunda-feira (23).

A decisão foi adotada pelo comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, que adiou uma votação até receber explicações de Washington.

O acordo entre os Estados Unidos e o bloco europeu estabelecia, entre outros pontos, uma tarifa máxima de 15% para a maioria dos produtos europeus exportados para o mercado norte-americano, juntamente com reduções para bens industriais e compromissos destinados a dar previsibilidade ao comércio.

"Um acordo é um acordo", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, ao exigir que os Estados Unidos expliquem como pretendem cumprir o pactuado. "Agora simplesmente dizemos aos Estados Unidos que cabe a eles mostrar-nos claramente qual caminho vão tomar para honrar o acordo", acrescentou o funcionário.

UE trava o processo

O presidente da comissão parlamentar de Comércio, Bernd Lange, advertiu que a nova tarifa global poderá violar o limite negociado com a União Europeia se for aplicada sobre as tarifas já existentes. Por isso, os legisladores decidiram adiar a votação do tratado até que seja esclarecido o alcance das medidas norte-americanas e a sua compatibilidade com o acordo.

Do lado norte-americano, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que os acordos bilaterais com a União Europeia e outros parceiros permanecerão válidos e que o governo espera que sejam respeitados. Contudo, a incerteza estende-se também a outros acordos comerciais recentes dos Estados Unidos, como os celebrados com o Brasil, a Índia e o Reino Unido.

  • A Suprema Corte dos EUA, na última sexta-feira (20), declarou ilegais os fundamentos usados pela administração Trump para impor tarifas globais, anulando sua aplicação.
  • A decisão invalida sobretaxas adotadas sob a justificativa de "combate ao narcotráfico" e também as chamadas "tarifas recíprocas", ao considerar que excederam os poderes legais concedidos pelo Congresso.
  • Como resposta, Trump anunciou a criação de uma nova tarifa global de 15% para substituir as anteriores.