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Corpos pendurados, decapitações e massacres: o terror do cartel sob o controle de 'El Mencho'

O Cartel Jalisco Nova Geração é acusado de atentados, execuções públicas e uso de armamento pesado. O atual secretário de Segurança do México também sofreu ataque do grupo.
Corpos pendurados, decapitações e massacres: o terror do cartel sob o controle de 'El Mencho'Josue Perez / ZUMA Press Wire / ZUMA Wire / Legion-Media

A exibição pública de violência foi a marca registrada do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) sob o comando de Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo 'El Mencho', morto no domingo (22) pelas forças federais do México.

Em meio à investida criminosa do CJNG em alguns pontos do país latino-americano, meios de comunicação locais revisaram o histórico da organização, considerada terrorista pelos Estados Unidos.

Entre 1989 e 2024, cerca de 140 mil pessoas morreram associadas à violência não estatal. Desse número, 53,8% são atribuídos ao CJNG, de acordo com o Programa de Dados sobre Conflitos da Universidade de Uppsala, citado pela imprensa local.

Em fevereiro de 2026, a imprensa vinculou o cartel a mais de 75 mil mortes. O número é um produto de sua estratégia de violência extrema, utilizada tanto para intimidar rivais quanto para tecer redes de recrutamento.

Características marcantes do cartel

Em cerca de 15 anos, o grupo deixou de ser apenas um no narcotráfico mexicano para tornar-se o mais agressivo do México. Para isso, foi vital o selo midiático de seus atos.

O primeiro deles ocorreu em setembro de 2011, quando eles abandonaram na localidade de Boca del Río cerca de 35 corpos de supostos integrantes de Los Zetas, outrora um dos grupos armados mais poderosos e temidos.

Na tarde daquele 20 de setembro, deixaram um par de veículos de carga com os corpos seminus, visivelmente torturados e com marcas de execução. Uma dezena deles foi jogada no meio da pista em uma hora de grande fluxo viário.

Semanas depois, encontraram 36 cadáveres na mesma região. Seria apenas o começo. O que se seguiu foram múltiplas descobertas de covas clandestinas com dezenas de corpos em estados como Jalisco, Veracruz ou Colima.

Em janeiro de 2026, foi localizado o corpo de um jovem pendurado em uma ponte em Tijuana, cidade fronteiriça com a Califórnia (EUA), com uma mensagem ameaçadora do CJNG. "Aqui sigo deixando a sua gente", dizia parte do texto escrito em uma faixa.

Tornou-se comum ver corpos pendurados em pontes, bem como decapitações, enquanto os enviados de 'El Mencho' faziam o mesmo deixando mensagens de terror em espaços públicos. O destinatário podia ser um cartel rival ou uma autoridade.

Ataques a autoridades

De fato, o CJNG também é reconhecido por atacar figuras públicas, incluindo o atual secretário de Segurança e Proteção Cidadã, Omar García Harfuch. Ele recebeu três tiros durante um violento ataque perpetrado por sicários da organização criminosa em 26 de junho de 2020.

Naquele momento, García Harfuch era secretário de Segurança, mas da Cidade do México, governada por Claudia Sheinbaum. Ele sofreu uma emboscada em plena via pública, na qual sete sicários usaram fuzis de assalto Barret, lança-granadas e bombas de fragmentação.

A sofisticação também marcou outra característica do CJNG de 'El Mencho'. Tanto que, em 1º de maio de 2015, tornou-se o primeiro grupo criminoso a derrubar uma aeronave militar com armamento pesado. O acontecimento tornou-se ponto de inflexão no confronto com o Estado.

Naquele dia, o helicóptero Cougar da Força Aérea Mexicana foi atingido por um lança-foguetes, o que provocou a morte de vários membros de elite da Secretaria da Defesa Nacional (Sedena).

Até 2024, a Administração de Controle de Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) apontava o cartel como "uma das organizações criminosas mais poderosas e implacáveis do México".