Entenda os motivos que levaram a Eslováquia a suspender o fornecimento de eletricidade à Ucrânia

Medida será revertida apenas se Kiev restabelecer o fornecimento de petróleo russo à Eslováquia, afirmou o premiê Robert Fico.

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, anunciou nesta segunda-feira (23) que o país suspendeu o fornecimento emergencial de eletricidade à Ucrânia, após Kiev não cumprir as condições de um ultimato apresentado por Bratislava.

"Cumpri o que declarei no sábado: 'Se na segunda-feira não forem retomados os fornecimentos de petróleo à Eslováquia, pedirei à SEPS, empresa estatal, que interrompa os fornecimentos emergenciais de eletricidade à Ucrânia'", afirmou Fico em vídeo publicado nas redes sociais.

O premiê acrescentou que, antes de tomar a decisão, tentou falar por telefone com o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, para obter uma resposta sobre quando e se o fornecimento de petróleo à Eslováquia seria retomado. Segundo ele, foi informado de que Zelensky "não estará disponível para conversar até depois de 25 de fevereiro deste ano".

"Diante dessas circunstâncias, somos obrigados a tomar imediatamente a primeira medida recíproca. Ela será cancelada assim que o fornecimento de petróleo à Eslováquia for retomado. Caso contrário, adotaremos outras medidas recíprocas", declarou.

A partir desta segunda-feira (23), segundo Fico, caso a parte ucraniana solicite ajuda para estabilizar sua rede energética, não receberá assistência.

O chefe do governo eslovaco afirmou ainda que, apenas em janeiro de 2026, os envios emergenciais necessários para estabilizar a rede energética ucraniana foram solicitados "duas vezes mais" do que durante todo o ano de 2025.

No sábado (21), Fico havia lançado um ultimato a Kiev, ameaçando adotar medidas caso o fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Oleoduto Druzhba não fosse restabelecido até domingo (23).

Fico acusou Zelensky de tratar a Eslováquia "com malícia", alegando que seu país não apoia o conflito entre Kiev e Moscou. "Primeiro, [Zelensky] cortou o fornecimento de gás à Eslováquia, causando prejuízos de 500 milhões de euros por ano. Agora cortou o fornecimento de petróleo, o que nos causa ainda mais danos e dificuldades logísticas", afirmou.

Na semana passada, Eslováquia e Hungria acusaram a Ucrânia de chantagem política e suspenderam o fornecimento de diesel ao país em resposta à interrupção do fluxo de petróleo por meio do Druzhba. Ambos os países também solicitaram à Croácia que permita o transporte de petróleo russo pelo oleoduto Adria.

Ataques ao oleoduto

No fim de agosto e no início de setembro do ano passado, o regime de Kiev realizou ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que levou à suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.

Os governos dos dois países criticaram duramente as ações de Kiev, afirmando que elas não ficariam sem consequências. Já o líder do regime de Kiev ironizou as consequências dos ataques realizados pelas forças ucranianas.

O ramal sul do oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano, transporta petróleo russo para Hungria e Eslováquia, enquanto o ramal norte, que abastecia Polônia e Alemanha, foi fechado em decorrência das sanções europeias.