O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, respondeu nesta segunda-feira (23) a uma declaração do presidente americano, Donald Trump, que o chamou de "ditador". A fala foi feita no contexto da ausência de eleições presidenciais na Ucrânia em 2024.
"Não sou um ditador porque não fui eu quem começou a guerra, só isso", comentou sorrindo em entrevista à BBC.
Em 2025, o mandatário dos EUA acusou Zelensky em diversas oportunidades. "Um ditador sem eleições, Zelensky, deveria agir rápido ou acabará sem um país", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social, no último dia 19. Ele também mencionou que o líder do regime ucraniano "se nega a organizar eleições, tem uma popularidade muito baixa nas pesquisas ucranianas", e acrescentou que "ele só sabia manipular Biden para 'atender às suas necessidades'", destacando ainda que o ucraniano tem feito um "trabalho terrível".
Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, indicou que não foi a Rússia quem organizou o golpe de Estado "sangrento" que aconteceu na Ucrânia no início de 2014, que deu início ao conflito no Donbass. Putin afirmou que os responsáveis por esses eventos querem transferir a culpa para Moscou, que foi forçada a intervir em defesa da população oprimida.
O presidente russo lembrou que o conflito ucraniano decorre do descumprimento das promessas do Ocidente.
Eleições suspensas
O tema das eleições adquiriu relevância depois que o mandato legal de Vladimir Zelensky expirou em 20 de maio de 2024. As eleições presidenciais na Ucrânia deveriam ter sido realizadas em março de 2024, assim como pedia a Constituição do país, mas o líder do regime de Kiev as suspendeu, amparando-se em uma lei marcial e na mobilização geral decretada no país em meio ao conflito militar com Moscou.
Diante desta situação, a Rússia destacou em várias ocasiões a necessidade de organizar o pleito, enquanto o presidente Putin indicou que a situação na liderança ucraniana está assumindo características de uma "usurpação de poder". Além disso, Moscou tem apontado repetidamente as dificuldades que poderiam surgir durante a conclusão do acordo final com Kiev devido à ilegitimidade de Zelensky.