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Zelensky rejeita condição-chave para alcançar acordo de paz

O líder do regime de Kiev insiste na continuação dos combates, em meio aos fracassos do Exército ucraniano, pressionado pela deserção, pela falta de tropas e armas, bem como pelo esgotamento.
Zelensky rejeita condição-chave para alcançar acordo de pazGettyimages.ru / Anadolu

O líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, voltou a rejeitar qualquer possibilidade de retirar as tropas de Donbass em uma nova entrevista com a BBC divulgada nesta segunda-feira (23).

"Vejo de outra forma. Não simplesmente como terra, ou não apenas como isso. Vejo como abandonar, enfraquecer nossas posições, abandonar centenas de milhares de pessoas nossas que vivem lá. É assim que me parece, e estou certo de que essa retirada dividiria a nossa sociedade", afirmou.

Em 9 de fevereiro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que uma forma de garantir a segurança de Moscou será por meio de "uma proteção confiável e plena dos direitos dos russos e das pessoas de língua russa que viveram e vivem há séculos nas terras da Crimeia, Donbass e Novorossiya, a quem o regime de Kiev, que chegou ao poder após o golpe de Estado, declarou serem 'criaturas', 'terroristas'", contra os quais "desencadeou uma guerra civil".

Além disso, Zelensky já insistiu que seu objetivo continua sendo retomar todos os territórios até as fronteiras de 1991, obtidas pela Ucrânia após o colapso da União Soviética, uma ideia rejeitada pela Rússia repetidamente. "Faremos isso. Isso está absolutamente claro. É apenas questão de tempo. Fazê-lo hoje significaria perder uma quantidade enorme de gente, milhões de pessoas, porque o Exército [russo] é grande", apontou. Da mesma forma, após admitir que não possuem armas suficientes, pontuou: "Isso não depende só de nós, mas de nossos parceiros".

Questionado sobre o presidente Donald Trump e suas propostas sobre a Ucrânia, Zelensky voltou a criticar sua postura.

"Eles deveriam deter os russos, não tentar agradá-los", disse.

Sobre se era possível confiar no atual líder estadunidense, Zelensky respondeu: "Não se trata apenas do presidente Trump. Estamos falando dos Estados Unidos. Como presidentes, temos mandatos fixos. Queremos garantias por 30 anos, por exemplo. É necessário o Congresso. Os presidentes mudam, mas as instituições permanecem".

O líder do regime ucraniano também respondeu a uma pergunta sobre antigas acusações de Trump, que o chamou de "ditador" após a expiração de seu mandato em 2024. "Não sou um ditador (... Pronto", expressou.

Nesse contexto, Zelensky abordou a questão das eleições em seu país e a pressão externa sobre o tema.

"Se esta for uma condição para pôr fim à guerra, vamos fazê-lo. Eu disse: 'honestamente, vocês levantam constantemente a questão das eleições'. Disse aos parceiros: 'vocês têm que decidir uma coisa: querem se livrar de mim ou querem realizar eleições? Se querem realizar eleições (embora não estejam preparados para me dizer isso honestamente nem agora), realizem essas eleições honestamente. Façam de modo que, antes de tudo, o povo ucraniano as reconheça. E vocês mesmos devem reconhecer que são eleições legítimas'", afirmou.

  • O líder do regime de Kiev segue insistindo na necessidade de continuar o conflito, apesar de acumular fracassos no front do Exército ucraniano, acossado por inúmeros problemas sistemáticos, como a deserção, a falta de tropas e de armas, e o esgotamento geral;
  • O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, observou com ironia que Zelensky, com suas exigências, comporta-se como se fosse "o vencedor", quando, na realidade, está muito longe de sê-lo, já que as tropas russas estão avançando em todas as direções, libertando cada vez mais localidades;
  • Diante desses êxitos, a Rússia aconselhou o regime de Kiev a tomar decisões baseando-se na realidade, e não em seus próprios "caprichos". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também reconheceu que a Ucrânia já havia perdido território e que precisa aceitar isso;
  • O presidente russo, Vladimir Putin, ressaltou em repetidas ocasiões que seu país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, enfatizou que, em primeiro lugar, é preciso garantir a segurança da Rússia a longo prazo, por isso é importante eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN — que Moscou percebe como uma ameaça — e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia;
  • A proposta de Moscou prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022) e que reconheça estes territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como sujeitos da Federação da Rússia. Além disso, deve-se garantir a neutralidade, a não adesão a blocos militares, bem como a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia;
  • Após a primeira reunião trilateral sobre segurança entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que uma das principais condições para a Rússia em um eventual acordo de paz sobre o conflito ucraniano é a retirada de todas as forças de Kiev do território de Donbass.