Um em cada cinco adolescentes relata ter visto nudez indesejada no Instagram

Dados de 2021 revelados em processo judicial indicam que imagens explícitas circulam principalmente via mensagens privadas.

Um documento divulgado na sexta-feira (20) conta que quase 20% dos usuários do Instagram* entre 13 e 15 anos afirmaram ter visto nudez ou imagens sexuais indesejadas na rede social.

De acordo com a agência Reuters, o dado faz parte de um processo judicial que acontece na Califórnia, Estados Unidos, e tornou público o depoimento do chefe da plataforma, Adam Mosseri, realizado em março de 2025. O caso integra uma série de ações judiciais em tribunais estaduais e federais americanos sobre o impacto das redes sociais no bem-estar de usuários jovens.

Mosseri afirmou que resultados de pesquisas baseadas em autorrelatos são problemáticos e não costumam ser compartilhados pela empresa. Segundo um porta-voz da Meta*, o levantamento foi realizado em 2021 e reflete a experiência relatada pelos usuários, não uma revisão direta das postagens.

Além de conteúdos sexuais, cerca de 8% dos adolescentes na mesma faixa etária disseram ter presenciado casos de automutilação ou ameaças de violência autoinflingida na plataforma. A empresa enfrenta milhares de processos que a acusam de criar produtos viciantes e prejudiciais à saúde mental de menores.

Mosseri destacou em seu depoimento o impasse sobre a privacidade, afirmando que muitos usuários não desejam que a empresa realize a leitura de suas comunicações pessoais para realizar a moderação, ainda que a maioria dos relatos diga que as imagens são enviadas por mensagem privada.

No final de 2025, a Meta* anunciou que removeria imagens e vídeos com nudez ou atividade sexual explícita, inclusive conteúdos gerados por inteligência artificial, para contas de adolescentes. Exceções são aplicadas apenas para contextos médicos ou educacionais.

O porta-voz da Meta*, Andy Stone, comentou sobre as ações tomadas em 2025, em entrevista à Reuters. "Estamos orgulhosos do progresso que tivemos e sempre trabalhando para melhorar".

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.