
Gigantes chinesas avançam sobre mercado bilionário de baterias no Brasil

Fabricantes chinesas de equipamentos do setor elétrico estão ampliando sua presença no Brasil para disputar o mercado de baterias, impulsionadas pelo leilão de sistemas de armazenamento em grande escala programado para este ano pelo Ministério de Minas e Energia. O leilão ocorre em um contexto de necessidade de estabilização do sistema elétrico, visando armazenar o excedente de energia renovável e reduzir perdas.
Segundo informou a Folha de S.Paulo no domingo (22), o certame, que pode movimentar R$ 13,9 bilhões em 2026, faz parte de um setor que deve gerar investimentos de dezenas de bilhões, com uma demanda futura estimada em R$ 77 bilhões até 2034, segundo levantamento da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae).

Entre as concorrentes chinesas estão gigantes como Sungrow, BYD, CATL e a Huawei, que competirão com empresas brasileiras WEG, Moura e UCB Power, e as americanas GE Vernova e Tesla.
Força no mercado
Os leilões representam mais uma oportunidade de expansão para as empresas chinesas no Brasil. As fabricantes chinesas já têm estratégias definidas, planejando participar apenas como fornecedoras dos sistemas de armazenamento (BESS), sem formar consórcios, e mantêm contatos com dezenas de possíveis clientes interessados no leilão.
Projetos do setor elétrico já responderam por 45% dos investimentos chineses entre 2007 e 2024, totalizando 35 bilhões de dólares (R$ 180 bilhões), segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China.
"A China controla tudo, desde a fabricação das células até a produção dos insumos necessários para fabricá-las", afirmou Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Armazenamento de Energia (Absae), citado pelo portal InfoMoney. A dinâmica confere às suas empresas uma clara vantagem competitiva em preço e capacidade de entrega, posicionando-as como principais candidatas na disputa.
A presença massiva das chinesas, cujos custom são significativamente menores do que os equivalentes europeus e americanos, pode deslocar a indústria nacional, mesmo com o aumento do imposto de importação para esses sistemas no fim de janeiro.
Como parte das iniciativas vinculadas ao leilão, o governo brasileiro planeja enviar engenheiros à China para absorver tecnologias e agregar inteligência à indústria nacional de baterias, conforme anunciou o ministro Alexandre Silveira em 11 de fevereiro. A medida visa iniciar um processo de capacitação nacional, alinhado com a inclusão de conteúdo local no leilão.
O ministro Silveira tem se empenhado em atrair esses investimentos, inclusive em missões oficiais à China, reforçando a importância estratégica da relação com o setor energético chinês para o país.

