Milhares protestam no Japão contra instalação de mísseis

Com investimentos bilionários em mísseis Type 12, governo do Japão tenta modernizar defesa das ilhas sob críticas de moradores que temem virar alvos.

Mais de mil pessoas se reuniram nesta segunda-feira (23) para protestar em frente à base da Guarnição Kengun da Força de Autodefesa Terrestre, localizada no município de Kumamoto, Japão. Os manifestantes criticaram o plano do governo japonês de instalar mísseis de longo alcance no local.

Segundo a mídia local, o grupo segurava placas com dizeres como "Sem mísseis" e "Não transformem Kumamoto em um campo de batalha", entoando gritos de guerra como "Forças Armadas não trazem paz".

Entre as demandas, estão a exigência de explicações por parte de Tóquio e a interrupção imediata da instalação dos projéteis. A fundamentação jurídica para os protestos baseia-se no Artigo 9 da Constituição pacifista do Japão.

O plano do sistema de mísseis japonês

De acordo com o Japan Times, o Ministério da Defesa do Japão acelerou a implementação de mísseis de longo alcance em 2025. O plano foca em projéteis capazes de atingir alvos fora do alcance inimigo, incluindo versões aprimoradas do míssil terra-navio Type 12.

A estratégia abrange bases em Kumamoto, Shizuoka, Hokkaido e Miyazaki, com operações coordenadas entre forças terrestres, caças F-2 e contratorpedeiros da Marinha. O governo antecipou o cronograma de várias unidades para os anos fiscais de 2025 a 2027, investindo cerca de 1 trilhão de ienes (cerca de R$ 36 bilhões) para modernizar a defesa das ilhas e a infraestrutura militar.

Apesar das justificativas de segurança nacional, o plano gera grande preocupação nas comunidades que receberão os mísseis. Moradores e autoridades locais temem que suas regiões se tornem alvos prioritários em possíveis conflitos, o que tem levado governadores a exigir explicações detalhadas e garantias de segurança por parte do governo central.