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Rússia condena endurecimento do bloqueio 'desumano' imposto pelos Estados Unidos contra Cuba

"Essas sanções ilegais têm um objetivo claro: dificultar o desenvolvimento do país e limitar sua interação econômica produtiva com outros Estados", declarou o Ministério das Relações Exteriores russo.
Rússia condena endurecimento do bloqueio 'desumano' imposto pelos Estados Unidos contra CubaGettyimages.ru / Sefa Karacan/Anadolu

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia denunciou nesta segunda-feira (23) os Estados Unidos por manterem "ameaças incessantes" contra Cuba e condenou as medidas mais recentes tomadas por Washington contra Havana.

Em comunicado, a chancelaria russa observou que, em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para estabelecer um regime de "emergência" em relação à política e às ações da liderança cubana, que Washington atribui a uma "ameaça excepcional" à sua segurança nacional e política externa.

"As últimas medidas punitivas dos Estados Unidos contra Cuba levaram o país à beira de uma crise energética. Condenamos veementemente as ações ilegais contra Havana e o endurecimento do desumano bloqueio anticubano, que já dura quase sete décadas", afirma o comunicado. "Essas sanções ilegais têm um objetivo claro: dificultar o desenvolvimento do país e limitar sua interação econômica produtiva com outros Estados", acrescenta.

Rússia continuará apoiando Cuba

Em 18 de fevereiro, Bruno Rodríguez se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin e com o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov durante uma visita de trabalho a Moscou. O Kremlin informou que um dos temas discutidos durante o encontro com o líder russo foi a ajuda a Cuba . Putin, por sua vez, descreveu as novas sanções impostas à ilha como "inaceitáveis" e reiterou que Moscou "sempre apoiou" Cuba em sua luta pela independência e pelo direito de trilhar seu próprio caminho de desenvolvimento.

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia também enfatizou que Moscou continuará apoiando Cuba na defesa de sua soberania e segurança, ressaltando que essa cooperação não representa nenhuma ameaça aos Estados Unidos ou a qualquer outro país.

Por sua vez, o chanceler cubano agradeceu a Moscou por seu "apoio inabalável" diante do bloqueio e do embargo energético que Havana enfrenta. O ministro das Relações Exteriores destacou a "natureza histórica e fraterna" das relações bilaterais entre os dois países, bem como o compromisso de Cuba em continuar fortalecendo-as "em todos os setores".

Ameaças de Trump 

As declarações ocorrem após medidas anunciadas pela Casa Branca no fim de janeiro. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarou "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança norte-americana e para a região.

Com base nessa decisão, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de advertências de represálias contra aqueles que atuem em desacordo com a ordem executiva.

Posteriormente, o Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e afirmou que pretende chegar a um acordo, embora tenha classificado o país como "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.

As declarações ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial mantido pelos Estados Unidos contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que atinge a economia da ilha, foi reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu às acusações.

"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou.

Havana tem rejeitado de forma sistemática o que considera acusações infundadas por parte de Washington e advertiu que defenderá sua integridade territorial diante de qualquer pressão externa.