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Lula quer mais lançamentos de empresa aeroespacial sul-coreana a partir da base de Alcântara

A declaração do presidente ocorre poucos meses após o fracasso da missão Spaceward, em que o foguete da sul-coreana Innospace explodiu segundos após a decolagem da base no Maranhão.
Lula quer mais lançamentos de empresa aeroespacial sul-coreana a partir da base de AlcântaraJoédson Alves/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou desejo de ampliar o acordo com a empresa aeroespacial sul-coreana Innospace para realizar mais lançamentos no Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão. A declaração foi feita durante sua visita de Estado à Coreia do Sul, nesta segunda-feira (23).

Lula utilizou o crescente desenvolvimento do setor aeroespacial da Coreia do Sul como exemplo do potencial de cooperação bilateral, afirmando que a parceria pode evoluir para o compartilhamento de tecnologias, dados e até para projetos de exploração lunar.

A Innospace realizou seu primeiro lançamento comercial a partir da base brasileira em dezembro de 2025, após três adiamentos do evento. Apesar de ocorrer exitosamente na última oportunidade do prazo estabelecido, a missão, batizada de Spaceward, foi frustrada por uma anomalia detectada cerca de 30 segundos após a decolagem do foguete HANBIT-Nano, que causou a explosão da espaçonave. Não houve vítimas do incidente.

Apesar do contratempo, o presidente Lula demonstrou confiança na parceria. "Tenho certeza de que o Brasil logo terá o privilégio de ver um foguete sul-coreano em plena operação", afirmou, durante a cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul. Citada em reportagem da Poder360, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, mencionou uma renovação do compromisso de investimentos conjuntos na base, ainda que sem obrigações fixas.

Marco nacional

Apesar da explosão em dezembro, a operação foi considerada um marco do Programa Espacial Brasileiro, especialmente por ser a primeira operação privada do tipo no país.

Imediatamente após o incidente, a Innospace anunciou planos de retomar lançamentos comerciais já no primeiro semestre de 2026. O CEO da empresa, Kim Soo-jong, em carta aberta, destacou o valor dos dados coletados durante a missão fracassada, que seriam usados para ajustes técnicos, comparando o episódio à trajetória de outras empresas do setor, como a SpaceX.

O desenvolvimento do Centro de Alcântara é visto como a maior oportunidade para o avanço do país em sua indústria aeroespacial e para a transferência de tecnologia. A estratégia do governo para superar os problemas de infraestrutura e logística da base tem como fundamento parcerias com países mais avançados no setor, como a Coreia do Sul e também a China, que está sendo incentivada a realizar seu próximo lançamento de satélites no Maranhão.