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China afirma que nenhum país pode agir como 'senhor dos direitos humanos'

"Os Estados devem defender conjuntamente a 'regra de ouro' da não ingerência em assuntos internos de outros países", declarou o chanceler chinês, Wang Yi, na abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
China afirma que nenhum país pode agir como 'senhor dos direitos humanos'VCG

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou em seu discurso de abertura da 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizada nesta segunda-feira (23), que nenhum país do mundo tem o direito de ensinar a outros países sobre questões de direitos humanos.

"Em primeiro lugar, é preciso praticar a igualdade soberana e salvaguardar a intenção original da governança global dos direitos humanos. Nenhum país pode agir como 'senhor dos direitos humanos', nenhum modelo pode se proclamar 'único e supremo'", declarou Wang Yi.

Segundo o chanceler, "é imprescindível insistir na participação, na tomada de decisões e nos benefícios em pé de igualdade para todos os países, ouvir mais a voz e as demandas do Sul Global e promover a construção de um sistema de governança global dos direitos humanos justo, razoável e inclusivo".

O ministro acrescentou que é fundamental respeitar o primado do direito internacional e fortalecer as bases da governança global dos direitos humanos. Nesse sentido, afirmou que o tema não deve ser usado para "adornar a democracia" nem para "maquiar a hegemonia", e defendeu que os Estados rejeitem o uso da pauta como pretexto para aplicar dois pesos e duas medidas.

"Os Estados devem defender conjuntamente a 'regra de ouro' da não ingerência nos assuntos internos de outros países, e dizer um não enfático ao uso dos direitos humanos como pretexto para aplicar pesos e medidas diferentes", acrescentou.

Desafios da governança global

Neste mesmo contexto, o alto diplomata pediu para "colocar em prática o multilateralismo e enfrentar os desafios da governança global dos direitos humanos", bem como "impulsionar o abandono de todas as formas de colonialismo e discriminação racial e responder adequadamente a novas questões como a relação entre inteligência artificial, mudança climática e direitos humanos".

O chanceler ressaltou ainda a importância de uma abordagem centrada nas pessoas. Segundo ele, uma vida feliz para a população representa o maior dos direitos humanos, e o desenvolvimento é a chave para alcançá-la. Ele afirmou que é preciso garantir sustento aos idosos, educação às crianças, apoio aos vulneráveis e acesso a atendimento médico aos enfermos, para que ninguém seja deixado para trás.

Além disso, o diplomata destacou a importância de "prestar atenção à orientação para a ação e melhorar a eficácia da governança global dos direitos humanos". "A China está disposta a coordenar ações com a comunidade internacional e a traçar juntos um novo mapa para a causa dos direitos humanos no mundo", disse.