A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, confirmou nesta segunda-feira (23) que o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia não será adotado.
Durante coletiva de imprensa após reunião Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, ela relatou o entrave nas discussões do bloco na pauta de novas restrições contra o país na seara do conflito ucraniano.
"Como todos sabem, acho que não haverá progresso a respeito disso hoje, mas certamente faremos essa pressão, e também discutiremos sobre o que devemos conversar com os russos", indicou Kallas.
O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjártó, já havia anunciado no domingo (22) a posição contrária do país frente à adoção do novo pacote de sanções contra a Rússia. O entrave húngaro no bloco se correlaciona com o bloqueio ucraniano do fluxo de petróleo no oleoduto Druzhba, essencial para o abastecimento húngaro e eslovaco.
Budapeste já adotou contramedidas anteriormente, como a suspensão de fornecimento de diesel à Ucrânia e a obstrução a um empréstimo de 90 bilhões de euros (~R$ 550 bilhões) da UE para Kiev, reforçando que qualquer interrupção no fornecimento de energia pela Hungria teria graves consequências para a Ucrânia.
- Moscou tem reiteradamente afirmado que os próprios países que recorrem a medidas antirrussas são os que sofrem as consequências, enfatizando que as sanções ocidentais são ineficazes e não conseguem influenciar a política russa. Enfatizada no comunicado reativo ao 17º e 18º pacotes de sanções em julho de 2025, a postura russa é de que essas medidas são unilaterais e "minam as prerrogativas do Conselho de Segurança da ONU."
- Retrospectivamente, o fracasso de aprovação do 20º pacote ocorre em um contexto de resistência contínua da Rússia, enquanto a UE enfrenta maiores e renovadas resistências para avançar com novas restrições, no contexto de andamento das negociações para encerramento do conflito ucraniano sem a participação europeia.