O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ordenar um ataque seletivo contra o Irã caso a última rodada de negociações nucleares, marcada para esta quinta-feira em Genebra, fracasse, segundo fontes citadas pelo The New York Times nesta segunda-feira, 23.
Pessoas próximas às discussões internas afirmaram que Trump teria indicado a seus assessores que, se a via diplomática ou um primeiro ataque limitado não convencer Teerã a abandonar seu programa nuclear, ele consideraria nos próximos meses uma campanha militar mais ampla, com o objetivo de forçar a saída dos atuais dirigentes iranianos, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país.
O presidente inclina-se a realizar uma primeira operação nos próximos dias como demonstração de força, para persuadir as autoridades persas a desistirem da capacidade de produzir armas nucleares. Entre os alvos estudados estão sedes da Guarda Revolucionária do Irã (CGRI), instalações nucleares e componentes do programa de mísseis balísticos iraniano.
Altos funcionários da própria Administração expressaram dúvidas sobre a possibilidade de mudar o governo apenas com bombardeios aéreos. Paralelamente, negociadores de ambos os países analisam uma proposta que ofereceria uma saída para a escalada: permitir ao Irã um programa de enriquecimento nuclear muito limitado, destinado exclusivamente à produção de isótopos para fins médicos e de pesquisa, em troca da redução do risco de um confronto militar aberto.
Tensões entre EUA e Irã
A tensão entre os Estados Unidos e o Irã aumentou no início de janeiro, quando Trump ameaçou uma intervenção militar, alegando preocupação com os participantes dos protestos internos no Irã. Embora as manifestações tenham cessado, Washington manteve a pressão, recalibrando seu argumento de volta à oposição aos programas nucleares e de mísseis de Teerã.
No dia 6 de fevereiro, foi realizada em Mascate, Omã, a primeira jornada de contatos indiretos entre os EUA e o Irã sobre a questão nuclear. Após o encontro, Trump afirmou que "o Irã parece muito interessado em chegar a um acordo". Por sua vez, Teerã descreveu o ambiente como "positivo" e confirmou a vontade de manter o canal de diálogo aberto. Uma nova rodada de conversações foi realizada na terça-feira (17) em Genebra, na Suíça.
Ao mesmo tempo, a nação persa tem assegurado repetidamente que está preparada para responder a qualquer "erro estratégico" dos EUA com golpes "pesados". Além disso, alertou que uma cessação completa do enriquecimento de urânio é "absolutamente inaceitável" para o Irã.
Por sua vez, Donald Trump advertiu nesta quinta-feira (19) que "coisas ruins" poderiam acontecer ao Irã se não fosse alcançado um acordo com Washington, e deu a Teerã um prazo de 10 a 15 dias, que classificou como o "máximo", para alcançá-lo. Sem entrar em detalhes sobre um eventual ataque militar, ele afirmou que os Estados Unidos "vão conseguir um acordo de uma forma ou de outra" e que, se isso não acontecer, "será uma pena para eles".
Na sexta-feira (20), o presidente americano afirmou que está considerando um "ataque limitado" contra a nação persa.