
Brasil e China lideram ganhos com novas tarifas globais impostas pelos EUA — Financial Times

O novo imposto global de 15% anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, deve beneficiar principalmente Brasil e China, conforme análise de dados divulgada pelo Financial Times no domingo (22).
O Brasil terá a maior redução média de tarifas, caindo 13,6 pontos percentuais, seguido pela China, com queda de 7,1 pontos. Países asiáticos como Vietnã, Tailândia e Malásia também devem se beneficiar, principalmente em vestuário, móveis e plásticos.

Em contrapartida, aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, União Europeia e Japão, são os mais impactados negativamente, especialmente em setores como aço, alumínio e automóveis.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, destacou que a administração Trump aumentou a alíquota global inicial de 10% para 15% porque "a urgência da situação exige que ele use toda a autoridade". Ele também afirmou que o novo imposto não afetará a reunião futura entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, cujo foco seria garantir que a China cumpra acordos comerciais.
Greer defendeu o novo regime e afirmou que investigações sobre práticas comerciais podem gerar mais tarifas no futuro, mas que os acordos existentes com parceiros, como a União Europeia, permanecem válidos. Nesse sentido, a administração Trump já sinalizou o início de investigações contra Brasil e China com base em "práticas comerciais desleais", indicando que a disputa comercial global está longe de ser resolvida.
Jogo de competências
O aumento da tarifa global foi implementado após a Suprema Corte dos EUA derrubar, na sexta-feira (20), grande parte da política comercial de Trump, declarando ilegais as tarifas aplicadas de acordo com a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).
Trump qualificou a decisão judicial como "ridícula, mal redigida e extraordinariamente antiamericana" e declarou que a nova tarifa de 15% entrava em vigor imediatamente, estando dentro do limite permitido pela legislação.
Durante coletiva de imprensa ao fim de sua visita de Estado à Índia, no domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil "não quer uma nova Guerra Fria" e deseja que todos os países sejam tratados igualmente. Lula evitou comentar a decisão da Suprema Corte dos EUA, mas expressou confiança de que as relações brasileiro-americanas retornarão à normalidade após seu diálogo com Trump, agendado para início de março.
A União Europeia, de sua parte, exigiu "clareza total" de Washington em nota publicada no domingo, afirmando que a situação atual não condiz com um comércio "justo, equilibrado e mutuamente benéfico". O Reino Unido, maior perdedor com a nova taxa fixa, enfrentará um aumento de 2,1 pontos percentuais em sua tarifa média, o que afetará milhares de empresas exportadoras.

