Quem era El Mencho e como sua morte expõe a estrutura de cartel no México

Fundador do Cartel Jalisco Nova Geração foi morto em operação militar em Tapalpa, ação que desencadeou confrontos, bloqueios e apreensão de armamento pesado.

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, colocou o México em alerta neste domingo (22), após uma operação das Forças Armadas no estado de Jalisco terminar com mortos, detidos e uma série de confrontos em diferentes regiões do país.

Apontado como fundador e líder do Cartel Jalisco Nova Geração, o CJNG, El Mencho, de 59 anos, era considerado um dos nomes mais procurados pelas autoridades mexicanas e dos Estados Unidos. Ex-policial, passou a comandar uma organização que, ao longo da última década, ampliou sua presença em diversos estados mexicanos e expandiu suas operações para outros países.

Sob sua liderança, o CJNG consolidou-se como um dos principais grupos do narcotráfico no México, com atuação na produção e no envio de drogas, especialmente substâncias sintéticas, além de envolvimento em extorsões e confrontos com forças de segurança. Após a captura de Joaquín "El Chapo" Guzmán, o grupo passou a ser apontado como um dos polos de poder no cenário do crime organizado mexicano.

A morte ocorreu durante uma operação realizada neste domingo (22), em áreas serranas do município de Tapalpa, região atribuída como reduto do grupo. Segundo a Secretaria da Defesa Nacional, a ação foi planejada com base em trabalhos de inteligência militar central, do Centro Nacional de Inteligência e da Procuradora Geral da República.

As Forças Especiais do Exército Mexicano atuaram com apoio de aeronaves da Força Aérea e da Força Especial de Reação Imediata da Guarda Nacional. De acordo com o comunicado oficial, militares foram atacados e reagiram.

O confronto resultou na morte de quatro integrantes do grupo no local. Outros três ficaram feridos em estado grave e morreram durante o traslado aéreo à Cidade do México. Entre eles estava Ruben "N" (a) Mencho, cuja identificação formal ficou a cargo das autoridades competentes.

Além das mortes, dois integrantes da organização foram detidos. As forças de segurança apreenderam armamento, veículos blindados e lançadores capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados. Três militares ficaram feridos e foram encaminhados para atendimento médico na capital.

A Secretaria da Defesa Nacional informou que a operação contou também com informações complementares fornecidas por autoridades dos Estados Unidos, no âmbito de coordenação e cooperação bilateral.

Em publicação nas redes sociais, o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou ter sido informado de que forças de segurança mexicanas mataram "El Mencho", a quem classificou como "um dos traficantes mais sanguinários e implacáveis".

Segundo ele, o episódio representa "um grande avanço para o México, os Estados Unidos, a América Latina e o mundo" e demonstra que "os bons são mais fortes que os maus. Somos mais os bons do que os maus". Landau também parabenizou as forças de segurança da "grande nação mexicana".

Retaliação

Poucas horas após a operação, começaram a surgir registros de bloqueios em rodovias e vias urbanas em Jalisco, Michoacán, Tamaulipas, Zacatecas, Colima e Oaxaca. Foram reportados incêndios de veículos, barricadas improvisadas e confrontos armados.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, confirmou a realização da ação. "Forças federais realizaram há algumas horas uma operação em Tapalpa que resultou em confrontos na região. Também em decorrência dessa operação, em diferentes pontos dessa área e em outros pontos de Jalisco, indivíduos incendiaram e atravessaram veículos para inibir a ação das autoridades", comunicou.

Diante da escalada, o governo estadual ativou o chamado código vermelho, mecanismo de coordenação emergencial das forças de segurança. As autoridades recomendaram que a população evitasse sair de casa enquanto os confrontos estivessem em andamento, e o transporte público foi suspenso em Jalisco como medida preventiva.

O Gabinete de Segurança do México informou que realiza operações coordenadas para conter os bloqueios.