Irã e Estados Unidos devem realizar uma nova rodada de negociações no início de março, segundo afirmou neste domingo (22) uma alta autoridade iraniana à Reuters. O foco das conversas segue sendo o impasse em torno do programa nuclear iraniano e o alívio das sanções impostas por Washington.
De acordo com a fonte, as posições ainda estão distantes quando se trata do alcance e do mecanismo para suspender as restrições econômicas.
"A última rodada de negociações mostrou que as ideias dos EUA sobre o escopo e o mecanismo de alívio das sanções diferem das demandas do Irã. Ambos os lados precisam chegar a um cronograma lógico para a suspensão das sanções", declarou. "Este roteiro deve ser razoável e baseado em interesses mútuos."
As negociações foram retomadas em fevereiro em meio ao aumento da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera ataques militares limitados, enquanto o Irã advertiu que poderá atingir bases norte-americanas na região caso seja alvo de ofensiva.
Um dos principais entraves continua sendo a exigência norte-americana de "enriquecimento zero", rejeitada por Teerã. Washington considera que o enriquecimento de urânio em território iraniano pode abrir caminho para a obtenção de armas nucleares. O Irã nega essa intenção e defende o reconhecimento de seu direito ao enriquecimento para fins pacíficos.
Os Estados Unidos também exigem que o país entregue seu estoque de urânio altamente enriquecido. Segundo estimativa da agência nuclear da ONU divulgada em 2025, o Irã possui mais de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza físsil.
A autoridade iraniana afirmou que Teerã pode considerar exportar parte do estoque, reduzir o nível de enriquecimento do material mais sensível e participar da criação de um consórcio regional de enriquecimento, desde que seu direito ao "enriquecimento nuclear pacífico" seja reconhecido.
"As negociações continuam e a possibilidade de alcançar um acordo provisório existe", disse.
Autoridades iranianas sustentam que uma solução diplomática pode trazer benefícios econômicos para ambos os lados. "Dentro do pacote econômico em negociação, também foram oferecidas aos Estados Unidos oportunidades de investimento sério e interesses econômicos tangíveis na indústria petrolífera do Irã", afirmou a fonte.
Segundo ele, Teerã não aceitará abrir mão do controle de seus recursos energéticos e minerais. "Em última análise, os EUA podem ser um parceiro econômico para o Irã, nada mais. As empresas americanas sempre podem participar como contratadas nos campos de petróleo e gás do Irã", finalizou.