
Kremlin adverte país da OTAN sobre consequências caso implante armas nucleares em seu território

O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, advertiu neste domingo (22) a Estônia sobre as consequências de um possível envio de armas nucleares de seus aliados da OTAN para seu território, garantindo que "a Rússia sempre fará o que for necessário para garantir sua própria segurança".
"Se houver armas nucleares em território estoniano apontadas contra nós, então nossas armas nucleares serão apontadas contra a Estônia. E a Estônia deve ter isso claro", afirmou o porta-voz, respondendo a uma pergunta do jornalista Pavel Zarubin sobre o assunto.

Peskov esclareceu que Moscou não ameaça a Estônia nem qualquer outro país europeu. No entanto, ele ressaltou que "a Rússia sempre fará o que for necessário para garantir sua própria segurança, especialmente em matéria de dissuasão nuclear".
O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, afirmou na quarta-feira (18) que o país báltico estaria disposto a abrigar armas nucleares de um aliado em seu território. "Não nos opomos a trazer armamento nuclear para o nosso território. Não temos uma doutrina que nos permita descartar, se a OTAN considerar necessário de acordo com os nossos planos de defesa, a instalação de armamento nuclear, por exemplo, no nosso território", declarou.
Abandonando o tabu nuclear?
A declaração de Tsahkna não é a primeira nos últimos tempos em que políticos europeus levantam a possibilidade de se dotarem de armas nucleares no contexto da escalada com a Rússia e da deterioração das relações com os EUA.
O primeiro a abrir o debate nuclear foi Emmanuel Macron. "Decidi iniciar um debate estratégico sobre a proteção de nossos aliados no continente europeu por meio de nossa força de dissuasão", declarou em março do ano passado, indicando que essa decisão respondia ao apelo do chanceler alemão Friedrich Merz.
A retórica do líder francês também encontrou eco na Polônia, onde o primeiro-ministro Donald Tusk anunciou sua intenção de que o país disponha de armas nucleares. "A Polônia deve aspirar às capacidades mais avançadas, incluindo armas nucleares e armas não convencionais modernas", afirmou.
Por sua vez, Merz se comprometeu a conversar com a França e o Reino Unido sobre a possibilidade de Berlim ficar sob sua proteção nuclear.
