O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado (21), em Nova Delhi, uma ampliação das relações econômicas entre Brasil e Índia e propôs elevar a meta de comércio bilateral para US$ 30 bilhões nos próximos anos. A declaração foi feita no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Índia, durante visita de Estado ao país asiático.
"O dia de hoje é um dia muito promissor para a Índia e para o Brasil", afirmou o presidente ao abrir seu discurso, ressaltando o papel dos governos em criar condições para que o setor privado avance.
Segundo ele, cabe aos chefes de Estado "abrir as portas para que os empresários possam fazer aquilo que eles sabem: negociar, construir parcerias, fazer investimentos no Brasil e na Índia para que as duas economias possam crescer juntas".
Lula destacou que trouxe à Índia uma das maiores delegações empresariais de suas viagens internacionais, além de ministros de diversas áreas, como sinal do compromisso brasileiro com o aprofundamento da parceria. Ele lembrou que o comércio bilateral saltou de US$ 2,4 bilhões, em 2006, para US$ 15,2 bilhões, em 2025.
"É um grande crescimento, mas é muito pouco diante do tamanho da Índia e do tamanho do Brasil", declarou. Ao mencionar a meta anteriormente anunciada de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 104,6 bilhões), o presidente afirmou ter dito ao primeiro-ministro Narendra Modi que o valor é insuficiente.
"Portanto eu acho, e disse ao Primeiro-Ministro Modi, que a gente ao invés de 20 [tem que] chegar a 30 bilhões de dólares de comércio entre os dois países. É só correr atrás".
O presidente recordou sua primeira visita à Índia, em 2005, quando o país alcançava US$ 100 bilhões em reservas internacionais. Naquele período, segundo ele, o Brasil enfrentava dívida com o Fundo Monetário Internacional. Lula afirmou que, após aquela viagem, decidiu fortalecer as reservas brasileiras, que chegaram a US$ 370 bilhões em seu mandato anterior.
Ao abordar o cenário global, o presidente defendeu maior diversificação comercial diante do avanço do protecionismo. Ele citou acordos firmados pelo Mercosul com Singapura, a Associação Europeia de Livre Comércio e a União Europeia, e classificou como prioridade a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia, em vigor desde 2009, com vistas a um futuro acordo de livre-comércio.
No campo tecnológico, Lula ressaltou a assinatura da Parceria Digital com a Índia, a primeira desse tipo firmada pelo Brasil, abrangendo cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e startups. Ele mencionou ainda iniciativas de infraestrutura digital, como o Pix e o India Stack.
No tema da energia, o presidente destacou a atuação conjunta no âmbito da Aliança Global para Biocombustíveis e afirmou que a transição energética exigirá minerais críticos, área na qual o Brasil detém pelo menos 26% das reservas mundiais, segundo estimativas citadas no discurso. Lula anunciou a criação de um Conselho Nacional vinculado à Presidência da República para tratar do tema.
Na área da saúde, foram celebrados acordos entre a Fundação Oswaldo Cruz e empresas indianas para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e insumos. O presidente também apontou oportunidades nos setores aeronáutico e de defesa, mencionando acordos da Embraer com o Grupo Adani e a Mahindra para produção de aeronaves na Índia.
Ao final, Lula afirmou que o Brasil seguirá ampliando relações internacionais "sem distinção ou alinhamentos automáticos" e convocou empresários a transformar as oportunidades em resultados concretos.
"Parafraseando a Primeira Ministra Indira Gandhi ao visitar o Brasil em 1968, o futuro não chega por si só — precisamos desejá-lo. Vamos ao trabalho", concluiu.