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Guiné-Bissau cancela estudo sobre vacinas financiado pelos EUA

A pressão da comunidade científica internacional impediu que milhares de recém-nascidos no país africano fossem incluídos no controverso ensaio clínico sobre hepatite B.
Guiné-Bissau cancela estudo sobre vacinas financiado pelos EUADogukan Keskinkilic

O governo de Guiné-Bissau cancelou definitivamente um controverso estudo financiado pela administração Trump que buscava avaliar possíveis efeitos colaterais da vacina contra a hepatite B, informou a Reuters na quinta-feira (18). A pesquisa, que buscava avaliar os efeitos colaterais da vacina, incluindo uma possível ligação com o autismo, foi suspensa por falta de ética e pressões políticas.

O estudo, liderado por pesquisadores dinamarqueses do Projeto de Saúde de Bandim, pretendia administrar a vacina a metade dos 14.000 recém-nascidos participantes, enquanto a outra metade a receberia às seis semanas de vida, como ocorre atualmente no país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que esse projeto é problemático, pois muitos bebês expostos ao vírus durante o parto já estariam infectados nessa idade.

O chanceler da Guiné-Bissau, Joao Bernardo Vieira, encerrou a polêmica com uma declaração categórica: "Isso não vai acontecer, ponto final". A decisão foi tomada após críticas da comunidade científica e de organismos internacionais, que apontaram que o estudo, financiado pelo governo dos Estados Unidos, estava sendo usado para testar teorias que associam vacinas ao autismo, uma hipótese refutada por evidências científicas.

Os pesquisadores dinamarqueses defenderam seu trabalho, apoiado por uma subvenção de US$ 1,6 milhão dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, argumentando que buscam compreender melhor os efeitos das vacinas em contextos locais, e alertaram que a suspensão do estudo afetará a confiança na pesquisa em saúde.