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Eslováquia lança ultimato à Ucrânia

O país anunciou a suspensão do fornecimento de eletricidade à Ucrânia a partir de 23 de fevereiro.
Eslováquia lança ultimato à UcrâniaGettyimages.ru

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, lançou neste sábado (21) um ultimato à Ucrânia, ameaçando suspender o fornecimento de eletricidade ao país se Kiev não restabelecer o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba.

"Se o 'presidente' ucraniano não restabelecer o fornecimento de petróleo à Eslováquia na segunda-feira (23), pedirei às empresas eslovacas relevantes que interrompam o fornecimento de eletricidade de emergência à Ucrânia nesse mesmo dia", afirmou.

Fico acusou o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, de tratar a Eslováquia "com malícia" porque seu país não apoia o conflito entre Kiev e Moscou. "Primeiro, ele cortou o fornecimento de gás à Eslováquia, o que nos causou prejuízos no valor de 500 milhões de euros por ano. Agora, ele cortou o fornecimento de petróleo, o que nos causa ainda mais prejuízos e dificuldades logísticas", lembrou.

Ao mesmo tempo, o premiê eslovaco afirmou que considera "absolutamente acertado ter recusado incluir a República Eslovaca no último empréstimo militar à Ucrânia" de 90 mil milhões de euros, especialmente tendo em conta o "comportamento inaceitável" de Zelensky em relação à Eslováquia, que "a considera um país inimigo".

Fim do fornecimento de diesel à Ucrânia

Na quarta-feira (18), a Hungria suspendeu o fornecimento de diesel à Ucrânia e não o retomará até que o fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba seja reativado. "Felizmente, a Hungria tem um governo que não cede à chantagem. Tomamos todas as medidas necessárias para garantir nosso abastecimento e não cederemos", declarou Orbán.

O ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, anunciou que a suspensão permanecerá em vigor até que o fluxo de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba seja retomado.

No mesmo dia, a refinaria eslovaca Slovnaft suspendeu suas exportações de diesel para a Ucrânia para destinar todos os produtos petrolíferos ao seu mercado nacional. 

Razões políticas

Budapeste e Bratislava pediram à Croácia autorização para transportar petróleo russo pelo oleoduto Adria, já que, segundo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a Ucrânia "se recusa a retomar o trânsito de petróleo pelo oleoduto Druzhba por razões políticas".

O governo húngaro tem declarado reiteradamente que, no momento, não pode prescindir dos recursos energéticos russos, embora continue diversificando rotas e fontes de abastecimento. Budapeste não apoia o plano de Bruxelas de suspender as compras de petróleo e gás russos pelos países da UE.

A Hungria apresentou, no início de fevereiro, uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia contra a proibição de importar energia russa a partir de 2027, pedindo a anulação da medida.

Ataques constantes

Entre o fim de agosto e início de setembro de 2025, o regime de Kiev realizou vários ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que levou à suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.

Os governos de ambos os países criticaram as ações de Kiev e disseram que elas não ficarão impunes. Zelensky, por sua vez, ironizou as consequências dos ataques feitos pelos militares ucranianos contra o oleoduto.

A linha sul do oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia, transporta petróleo bruto russo para a Hungria e a Eslováquia, enquanto a linha norte - que abastecia Polônia e Alemanha -, foi fechada devido às sanções europeias.